Floriza Rocha Figueiredo

Filha de Francisco José dos Anjos e Sigismunda Maria da Rocha, nasceu em 21 de maio de 1935, Piatâ;Bahia.Tendo por avós paternos:Alfredo José dos Santos e Maria da Rocha, avós maternos: José Tomás da Rocha e Catulina Maria da Rocha.Floriza tem por irmãos:Joana Maria, Nelson,Maria( in memorian),Raulino( in memorian), Eloisio José( in memorian), Álvaro ( in memorian),José( Dezinho in memorian).Ainda tem os irmãos Edinólia e Edinaldo, filhos do segundo casamento de seu pai com Dona Edna.

Floriza veio para Mato Grosso no ano de 1942.Primeiro veio o avô materno , sr. José Tomás da Rocha, conhecido como Badu. Quando avô Badu veio, com ele veio Tia Rosa e o neto mais velho, Raulino, irmão de Floriza, o menino tinha um ano de idade e faleceu durante a viagem. Tempos depois, Badu vendo que a região de Poxoréu em Mato Grosso tinha boas terras e água com fartura, resolveu voltar na Bahia para pegar os familiares, uma vez que por lá a seca estava castigando o povo e todos os seres que dela dependessem.

Junto com a mudança dos pais dela, vieram outras famílias. Viajavam em comitiva. Por volta do mês de março prepararam a viagem, foram vários dias em que a mãe de Floriza e as outras senhoras das demais famílias se dedicaram a fazer paçoca de carne seca nos pilões, rapadura e farinha., alimentos que seriam consumidos durante a viagem.

No dia marcado,em março de 1942 as famílias de Chico Solteiro,Dona Dezinha,o esposo e o filho …( mulher que estava grávida e faleceu poucos dias depois que chegou da viagem , Ernesto, Antônio do Alfredo e Francisco do Alfredo, levantaram bem cedinho e puseram as tralhas e crianças nos animais, saíram com escuro em rumo ao desconhecido, em busca de dias melhores para criar os filhos e sobrevirem. A viagem durou 06( seis ) meses, até chegarem em Guiratinga -MT.

No lombo dos animais as crianças vinham dentro de caixotes colocados sobre as cangalhas: Floriza, Joana e Nelson, Eloísio, Álvaro e José nasceram em Mato Groso. A mudança vinha distribuída em uma tropa de dez animais para cada família, isto é, partiram da Bahia 40(quarenta ) animais trazendo as pessoas e os pertences das quatro famílias.Marcelino era o capataz que conduzia os animais, visto ser ele homem experiente, corajoso e conhecedor do caminho que ligava a Bahia a Mato Grosso. O capataz seguia viagem a pé conduzindo a tropa e definindo os locais de parada para descanso, alimentação e pouso. Pois, tudo tinha que considerar as condições dos animais, das pessoas e a segurança do ambiente em que iriam pernoitar. Disse que naquela época ocorriam assalto e perseguições a alguns tropeiros.

Durante o dia viajavam e paravam apenas para se alimentarem, beber água , fazer algumas necessidades e ajeitar as cargas. Á noite paravam para dormir em redes que armavam no mato e montavam cozinha na estrada para preparar as refeições. Durante as paradas, às vezes caçavam e pescavam, dependia da região em que iam fazer a refeição.As mulheres sentavam de sião, isto é ,não sentavam escanchadas no arreio.Os baianos que vieram com a família de Floriza foram para Guiratinga – MT, e de lá foram levados para a região da Serra das Araras, próximo à grande fazenda do Sr. Alcebíades Figueiredo , o Bia.)

Vieram da Bahia os tios paternos de Floriza, isto é, filhos do sr. Alfredo José dos Santos:Alvina, Maria( mãe de Dinolva , Badega, Orlando, Esterlina,,), Antônio( pai de Nê e de Lídio), Agripino e Raimundo( de tia Didi).Vieram também os tios maternos de Floriza: Sizaltina, Aurelina, Alvina, Fabrício Rocha, e Otaviano Rocha, que foram morar na região da Água Bonita, perto da Serra das Araras, município de Poxoréu-MT.Os tios Neco, José Rocha e Agenorzão foram morar no Tombador. Quando chegaram da Bahia a família de Floriza foi morar numa terra que ficava aos fundos da casa do Sr. Bia.

Floriza se recorda que quando viajaram para Mato Grosso a mãe, Dona Sigismunda estava grávida e pouco tempo depois que chegaram da viagem a mãe dela deu à luz a um bebê, o irmão José ( Dezinho) e quando foram morar na Serra das Araras, não tinham sequer uma vaca para tirar o leite para o memino beber. Então, Sr. Bia deu uma vaca leiteira para os pais dela.

O pai de Floriza, o Senhor Chico do Alfredo, como era conhecido, era tropeiro. Tinha uma tropa de 12(doze) bosn animais. Viajava muito, transportando cargas de um lugar para outro. Transportava: arroz, feijão, açúcar, sal, milho e outros produtos que buscava na região de Goiás.

Os avós de Floriza( Badu e Alfredo) plantavam roça , da qual tiravam o sustento para a família e para os netos.Até hoje Floriza tem lembranças bem nítidas dos ambientes e das coisas que aconteceram na vida dela enquanto morou na Bahia. Disse que ao fechar os olhos, ela parece estar vendo um filme de como era o lugar, as pessoas e as coisas na Bahia.

Moravam numa casa boa de material, uma casa grande, com calçadas ao redor, um quintal enorme, com o solo branquinho, terreno misto, de barro branco e areia bem fininha. Chão firme e branquinho, no fundo da casa passava um córrego e tinha uma pinguela que possibilitava ir até à casa de Anália do Senhor Fecundes. À frente havia a casa dos pais de Candinho, o Senhor Ervílio( ou coisa assim). A casa de Candinho era boa, grande e havia uma cerca de quiabento, planta das folhas gossas, carnudas com grandes espinhos e flores bem vermelhas.Lindas flores.

O avô materno, sr.José Tomás da Rocha, trouxe a família para Mato Grosso, mais especificamente para Poxoréu, em busca de uma vida melhor, uma vez que lá na Bahia a seca estava castigando. O povo estava enfrentando muitas dificuldades para sobreviver diante da seca. Senhor José Tomás veio na frente e analisou a região, visitou alguns lugares , depois voltou na Bahia para buscar a família.Chegando lá disse ter encontrado o lugar ideal, Poxoréu; lugar de terra boa e água em abundância o ano todo, destacando que Mato grosso nunca tinha passado por situação de seca.

Floriza se recorda de vários lugares da Bahia, onde ela já havia ido ou que os pais costumavam ir, como: Feira de Santana, Lavras, Barreiras,Boninal, Palmeirinha,Cutia e Lençóis.Disse também que a tia Alvina era benzedeira de mão cheia. Muita gente procurava por ela para se benz.Tia Alvina fazia várias orações. Entretanto a que mais encantava a menina Floriza era a que a tia fazia para se esconder de alguém. Disse que a tia rezava e virava mato, ou que as pessoas não a viam, enxergavam só os matos do lugar , mas não enxergavam Dona Alvina.

Enquanto morava na Bahia, a casa de Floriza era farta, o paiol estava sempre cheio, que eles criavam cabrito, galinha , porcos e plantavam roça e tinham um quintal bem planatado, com batata, banana, mamão, mandioca, abóbora, quiabo, maxixe e outras plantas.

Outra pessoa que ficou guardada na memória da pequena Floriza foi um velho da região da Cutia que as crianças chamavam de Tio Roque.Um senhor idosos que sempre saudava Floriza dizendo lhe:_ A bênção de Deus Sinhá!

Floriza disse que saíram da Bahia no mês de março ( era época do verão),não era período de chuvas. Saíram bem cedo , com o escuro.Se lembra que durante a viagem passaram por fazendas muito bonitas, com imponentes casarões. E numa dessas fazendas Marcelino, o capataz que conduzia a tropa pediu autorização ao proprietário para que eles pudessem passar a noite lá. Autorizado o pernoite, a comitiva armou as barracas, isto é estenderam o tecido grosso que traziam , fincaram as estacas para prendê-lo e ali acamparam para descansar e dormir.

Floriza disse que eles não frequentaram escola na Bahia e nem aqui em Mato Grosso, porque a escola era distante e a região era de muita mata, havendo muita cobra e onça na região.A escola ficava na Fazenda do Sr. Bia, acima da casa,, do lado direito e teve como professores :Diocleciano Jeferson e Valdemar Britis( ou Brito) de Oliveira.

Floriza se recorda das histórias que ouvia o pai e outros familiares dizerem dos perigos que os baianos corriam nas viagens de volta à Bahia. Muitos baianos saiam da Bahia e deixavam a família. Iam trabalhar em outros estados e depois que conseguiam certa quantia em dinheiro, voltavam para casa, iam socorrer a família em suas necessidades( alimentos, roupas, remédios , etc) Outras vezes iam buscar a família para residir no novo lugar onde a vida era mais confortável. Assim sendo, quase sempre os baianos em seu retorno à Bahia iam com dinheiro. Vinham sem nada e voltavam endinheirados. Por esse motivo os ataque de assaltos e assassinatos eram frequentes no retorno . E por isso, a menina Floriza ouviu o avô Badu e outros membros da família contarem a história do Zequinha da Pinduca, que diziam assim:Os baianos deixavam a família na Bahia e vinham trabalhar. Aqui ficavam por um certo tempo, depois voltavam para levar dinheiro para a família, Quando voltavam paravam no Zequinha da Pinduca para pousar. Vários baianos morreram por lá.Pois antes de saírem para dar continuidade à viagem, Zequinha matava os baianos e tomava-lhes o dinheiro.Na vinda da Bahia para cá os baianos paravam no Zequinha e eram muito bem acolhidos. Pois, estavam sem dinheiro, mas na volta eles com dinheiro eram atacados pelo Zequinha.Com o tempo os baianos foram desconfiando que Zequinha era o responsável pela morte dos baianos. Então certo dia um baino juntamente com outro se preparavam para dar o troco em Zequinha. Quando chegaram na casa, foram cumprimentando.Boa tarde meu padim!Boa tarde baiano.

O Sinhô pode dar um pouso para nóis?. Posso respondeu Zequinha. Antes os baianos viram muitas linguiças penduradas e uma enorme chibata. Se fizeram de besta e perguntaram:que é isso( mostrando para as linguiças)?

Zequinhq respondeu que eram almas benditas, e quando perguntaram o que era o outro objeto( a chibata), Zequinha disse que era Santo Antônio. Os baianos armaram as redes fora da casa e foram dormir. Mas não se deitaram nas redes. Dentro delas colocou os arreios e outars coisas.Logo bem cedo antes do horário previsto se despediram do senhor Zequinha dizendo.Adeus meu padim . Nóis já vamos almas benditas vai com a gente e Santo Antônio fica com o sinhô. Zequinha se despediu e foi cercar os baianos mais adiante para roubar-lhes. Mas para a surpresa dele os baianos mais que depressa atiraram nele e mataram. Com isso acabou a história dos assassinatos dos baianos no retorno à Bahia.

Quando jovem, antes de casar, Floriza cuidava dos irmãos e disse que levantava bem cedo para ferver o leite , coar o café e preparar o lanche para os irmãos. Era ela quem lavava roupa, vasilhas e cozinhava. A irmã Joana varria a casa e cuidava das crianças.Com a ajuda dos avós,criavam porcos, galinhas, plantavam arroz, milho, feijão , abóbora e mandioca.Floriza e Joana arrancava as mandiocas, descascava, lavava e colocava na roda para moer , a avó cevava, colocava no bolinete, depois de moída os avós prensavam a massa para no outro dia bem cedinho o avô Alfredo torrar. As meninas Floriza , Joana e o irmão Nelson socavam arroz no pilão e também ajudavam o avô a bater o arroz na roça, em época de colheita. Nelson ia para a roça numa mula por nome Paquinha.

No dia de lavar as roupas, Joana ficava em casa com os meninos enquanto Floriza ia para o córrego coma avó Catula. Se recorda que na beira do córrego havia lindas flores de cambará, flores bem roxas.

Floriza aprendeu a ler depois de casada, quando já havia tido todos os filhos , por volta de 1973, quando chegou na região de Jarudore o Projeto MOBRAL e lá se constituiu uma turma de alfabetização para adultos, com o professor Wilmar.

Na casa de Floriza havia um rádio que era ouvido à noite, quando o pai estava em casa. Muitas vezes dormiam sozinhos, isto é , Floriza a mais velha cuidava dos irmão mais novos enquanto dormiam, e vencida pelo cançaso e pelo medo também adormecia. Quando comentei que ela então deveria fechar muito bem a porta da casa, uma vez que tinha medo de onça e outras coisa que pudessem ataca-los a noite, ela riu e disse que não havia como fechar bem a porta. Pois, a casa não tinha portas, era fechada com varas.

Dona Sigismunda, mãe de Floriza deu à luz à uma menina à noite e pela manhã, não resistiu as complicações do parto, morreu com uma forte hemorragia. A menina nasceu viva. Porém, faleceu com três meses de idade.

Floriza disse que a casa dela era próxima a casa da avó materna, Dona Catula, após a morte da mãe, a avó foi uma figura muito importante na vida dela e dos irmãos. Pois, o pai além de viajar muito em decorrência do trabalho de tropeiro, com a morte da mãe ele não demorou e viajou para a Bahia em busca de nova esposa. E por lá ficou uns dois anos.

A avó Catula era a pessoa que ajudava Floriza a cuidar da casa e dos irmãos mais novos, visto que Floriza é a filha mais velha, coube a ela as responsabilidades de mãe , após a morte de Dona Sigismunda.O pai de Floriza casou se com Edna Souza dos Anjos, irmã de Perolina e de Ilda.Ilda era madrinha de Nelson. Portanto, cunhada e comadre de Chico.Ilda era esposa de José Drege e Perolina se casou e foi morar em Brasília.

Na região que Floriza morava, tinha muita festa. Com certa frequência aconteciam mutirões, treições, casamentos e batizados,o que terminava com animado baile( o famoso forró).Nessas ocasiões a população se reunia, os moradores na maioria das vezes eram quase sempre parentes, compadres e outros.O pai de Floriza não ia nas festas. Porém, as filhas Joana e Floriza sempre participavam das festas, porque iam em companhia do tio Tonho( Antônio), irmão do Senhor Chico Alfredo.Se recorda que o pai comprava as roupas e os calçados em Guiratinga. Quando comprava tecido, era tia Maria e a avó Catula quem costurava para os meninos, as roupas de Joana e de Floriza quem costurava era Avilina, irmã do Samuel ( cunhada de Dona Lili).

Os familiares que ficaram na Bahia enviavam cartas para aqueles que tinham se mudado para Mato Grosso. As correspondências ( cartas) do povo da Bahia, chegava em Guiratinga e as pessoas da família de Floriza de vez em quando ia lá para pegá-las. Chegando em casa Chico Alfredo ia atrás dos tios de Floriza ( Agripino e Raimundo) para lerem e responderem as cartas recebidas.Com uma certa frequência vinham cartas para avô Badu e para o pai de Floriza.

A madrinha de Nelson era Ilda , irmã de Dona Dina.Senhor Chico, pai de Floriza, foi para a Bahia à procura de uma mulher para se casar. Lá chegando, ele encontrou Dina,( Edna) a irmã de sua comadre Ilda. Começaram a namorar e logo se casaram. Após o casamento ele ainda ficou morando na Bahia por uns 6(seis) meses depois veio para Mato Grosso. Quando chegou aqui, Floriza já havia se casado com João Sinval. Visto que quando ele foi, os jovens já estavam namorando e quando resolveram se casar, João Sinval enviou uma carta para senhor Chico, pedindo autorização para se casar com Floriza. Senhor Chico não consentiu o casamento. Porém, o tio de Floriza, Sr. Antônio, concordou com o casamento e tomou as providências, fazendo todo o enxoval e comprou também o tecido para o vestido da noiva, calçado . Enfim, cuidou de tudo para realizar o casamento da sobrinha com o jovem João Sinval. Depois de alguns namoros passageiros, num baile de mutirão, Floriza começou a namorar com João Sinval, com quem se casou em 29 de março de 1952( 29/3/1952,certidão de casamento registrada no cartório de Toriparu, no Areia; região do atual município de Vale Rico, cujos arquivos foram transferidos para Guiratinga, e lá está registrado sob a matrícula nº:06394102551952200001012000000937, fone(66)3431-1458, e mail(as.sobrinho@hotmail.com).

O casamento de Floriza e João Sinval aconteceu à tarde, no mesmo dia se casaram Maria Silveira Figueiredo( Maró) irmã de João Sinval, como jovem Valdivino, filho de sr> Anastácio( pai de Baio).. Após o casamento houve um jantar e depois o baile. Macario era o juiz de paz do Vale Rico, ele era parente de Floriza e foi lá fazer o o casamento Macário era casado com Florinda,irmã de Patrício, de Lídio., filhos de José de Deus.Após o casamento, Floriza foi morar na terra do pai dela , Sr. Chico, perto da casa de Joana e depois ela e Maró foram morar na casa de Seu Bia., onde morou por uns dois anos.A casa era bem grande. Lá moravam: Sr. Bia, Dona Neguita, Edite, Noêmia, Miriam, Isolina e anésia. Além de Floriza , João Sinval , Maró e Valdivino. Ainda tinha um barracão onde dormiam:Herculano, Levi, Nilson e José Cruz. Herculano era um rapaz forte e trabalhador, filho de Zé Cruz. Floriza se recorda que certo dia chegou por lá um aviador por nome Sinobilino que pediu a Zé Cruz para levar Herculano para trabalhar com ele. Daquele dia em diante nem a família de Seu Bia nem Zé Cruz souberam mais notícias de Herculano.Herculano, era filho de José Cruz e dona Ilda e sua avó era dona Teodora.

Da união de Floriza com João Sinval nasceram 14 ( catorze) filhos. Todavia, alguns nasceram fora de época e não resistiram, dois nasceram no tempo certo . Porém , morreram ainda bem criança. Assim sendo, eles criaram 09(nove) filhos: Ubiratan, Mariza,Ronan, Marilda Màrcia, Marlene, Leda, Lecy e Anésia.

Floriza disse ter trabalhado bastante quando solteira e também depois de casada. Porém, não se arrependeu de se casar com João Sinval. Encontrou nele um marido atencioso, responsável que deu a ela segurança e conforto. Coisa que ela não tinha , principalmente depois da morte da mãe. Ela disse que tinha muito medo e tudo era ela quem tinha que agir. Com o casamento com Sinval, ele passou a decidir tudo na vida dela.Ele também não deixava faltar nada em casa, havia sempre muita fartura. Isso para ela foi uma tranquilidade.que a criação dos filhos não deu trabalho. Os filhos eram todos muito obedientes, graças a Deus , nunca se envolveram com coisas erradas e nem lhe faltaram com o respeito.

Apesar do casamento com João Sinval ter mudado sua vida de moça festeira, ele disse se sentir feliz com a companhia do esposo, que ele não gostava de festas,ia apenas na igreja no sr. Abiné e na igreja de Jarudore. As únicas festas que foi depois de casada foi nos casamentos de tia Maria, Tio Raimundinho,, de Alvinona, de Dezinho( José irmão de Floriza ) e de Eloísio, também seu irmão.

Porém, disse que não se revoltava por isso. Pelo contrário , se sentia orgulhosa do marido, por ele ser um homem respeitado e admirado pelas pessoas, um político influente , de poder, um líder na região de Jarudore, principalmente para os parentes dela. Disse que todos os seus parentes admiravam seu esposo e seguiam as opiniões e orientações dele quando iam votar ou resolver algum problema.Disse que gostava muito de acompanhar o marido nos comícios, que ele não ia em festas , mas que durante as campanhas eleitorais ele a levava em todos os lugares que ia.Chega a sentir saudade daquele tempo, da casa cheia de gente, dos comícios,do povo a procura de Sinval. Ela disse que o povo venerava seu esposo, quem falasse mal de Sinval era logo advertido, corrigido, os amigos, compadres e familiares de Floriza chamavam a atenção, não permitia de forma alguma um comportamento de desrespeito a ele.

Disse que apesar do assédio das pessoas a seu marido que além de líder sempre foi bonito, ele nunca lhe deu motivos para desconfiar dele, o esposo sempre a respeitou. Se recorda apenas de uma pessoa que despertou-lhe ciúmes, não que ele tivesse se envolvido, mas a mulher que ficava dando em cima de seu esposo.

Disse ela, certa vez,Patrício comprou a fazenda do sr. Braulino. Porém, esse antes ofereceu a fazenda para João Sinval , que por falta de dinheiro não comprou. Braulino ainda disse que com pouco tempo de serviço João Sinval pegaria diamantes suficiente para pagar. Mas ele não quis, ficou com receio de não ter como pagar. Então, Patrício, comprou e pouco depois pegou tanto diamante , que pagou a terra e sobrou dinheiro para comprar gado.

Sobre a vida política disse que na época o sogro Alcebíades tinha o comando dos votos de toda a região da Serra das Araras e vizinhança, isto é, onde ele votasse todos seguiam. Entretanto, depois que ela se casou com João Sinval, os eleitores se dividiram. Uns seguiam Seu Bia e outros seguiam João Sinval, já que eles passaram a ser adversários políticos. João Sinval era seguidor da UDN , dos Rochas e Bia era do PSD.

Disse que muitas vezes recebeu em sua casa visita de políticos como:Nego varanda, Sr. Joaquim Nunes Rocha, Moreno,João Vilela, Zezé e Manoel Coutinho,. Disse ela, que o povo do Tombador era apaixonado pelo Rochinha. Tanto , que sempre que vinham à cidade levam notícia da visita que tinham feito a Rochinha e das informações que ele havia passado.

Relatou ainda que o povo do Chicô lá do Paraíso do Leste gostava muito de visita-los no Tombador. Os candidatos de Guiratinga sempre iam lá na época da campanha política: Eduino Orione e Luís Orione .Os visitantes iam lá de caminhão, de Jippe e até a cavalo. Pois, as estradas eram muito ruins.Outros iam de avião que pousava no campo do Abiner ou do Seu Bia.

O Hospital santa Maria Bertila e as Farmácias de Dr. Giovany, de Salomé e de Adalberto,eram referências em Guiratinga, quando se falava de problemas com a saúde.

Os primeiros anos escolares dos filhos mais velhos : Ubiratan, Mariza e Ronan, se deu no grupo que ficava na fazenda do avô Bia, lá na Serra das Araras, onde tiveram como professores: Domingas, Nega do Tonico e Luzia; esposa de Messias , atualmente empresário em Rondonópolis-MT.Em 1965, a família mudou se para Jarudore, para que os filhos pudessem continuar os estudos e no ano de 1977 o casal se mudou para a cidade de Poxoréu, visto que os filhos mais velhos já estavam morando na cidade para continuarem os estudos, uma vez que em Jarudore só havia até o primário.

Os primeiros anos em Poxoréu, foram difíceis ,para a família que não tinha casa própria, morava de aluguel e com uma família numerosa a despesa era grande. Todavia, João Sinval não se desanimou, procurou o sr. Tonico Ribeiro e arrendou a terra dele lá na Água Limpa, onde foi plantar roça e os filhos também se uniram e cada um foi trabalhar como pode para ajudar nas despesas de casa.Ronan foi trabalhar no Colégio das Freiras: Escola Poxoréu,Marilda foi trabalhar na E.E.Cel. Júlio Müller, Márcia começou a lecionar na Pré Escola no Centro Juvenil, Leda e Marlene passaram a trabalhar de babá, de doméstica. Em Cuiabá, Mariza foi trabalhar com o Deputado Eduíno Orione, que era conhecido e amigo da família, desde que moravam na Serra das Araras. Ubiratan trabalhou na Prefeitura de Poxoréu, no setor de alistamento militar, depois também foi para Cuiabá, morou na República de jovens estudantes de Poxoréu e ingressou na UFMT, onde cursou Agronomia.

A esposa Floriza estava sempre ao lado do marido todas as vezes que el encarava um novo desafio. A exemplo da Lavoura da Água Limpa, distante 55Km da cidade, estradas quase intransitáveis, região de matas densas e muitos peões perigosos , lá foi ela morar com o marido em um barracão de palha, vinham à cidade a cada quinzena para ver os filhos e fazer compras.

Floriza mais uma vez viu o esposo numa situação difícil,apesar de terem plantado uma vasta lavoura, tiveram um enorme prejuízo , perderam parte da produção que não foi possível escoar devido as más condições da estrada, outra parte perdeu na roça , por conta de trabalhadores que abandonaram o serviço e foram embora, deixando para trás a divída das despesas e a produção no meio do mato.João Sinval assumiu os prejuízos, foi pagando aos poucos e graças a Deus contou com o apoio de um grande amigo, sr Eli Vieira Célio que estendeu-lhe as mãos e sabendo da coragem de João Sinval para trabalhar e da existência de bons garimpos em Poxoréu, comprou um carro zero , um JIPP , uma draga e fez toda a despesa necessária para ele recomeçar a vida e poder cumprir com os compromissos assumidos perante o Banco do Brasil, visto que a roça era financiada e também manter sua família. Floriza nessa época passou a morar na cidade. Porém, com frequência acompanhava o esposo, indo com ele para o garimpo. Às vezes estava fazendo o almoço, o esposo ia para o garimpo, ela desligava o fogão e deixava a chave na vizinha com o recado que havia ido para o garimpo. Sempre teve o prazer de acompanhar o marido nas viagens e serviço.

Desde criança João Sinval sempre teve muita sorte com o garimpo e dessa vez não foi diferente, graças a Deus pegou muito diamante. pagou as dívidas,comprou uma propriedade na região do Pacu, comprou carro e construiu uma grande casa na Rua São Paulo, tirando a família do aluguel.

Em 1997, Floriza mudou com o esposo para o Pacu,município de PlanaltoDa Serra e lá moraram até o ano de 2014, quando retornaram para Poxoréu. Visto que Floriza começou a apresentar problemas de saúde, João Sinval, pela idade já avançada e depois do acidente que sofreu na lida com o gado, começaram a ter dificuldade para ficarem só em local tão distante dos filhos e do conforto, situação que se agravou após a morte da filha Marilda, em dezembro de 2013, Floriza queria ficar mais próxima dos filhos e netos, passou a se sentir muito só. Principalmente à tarde, quando o esposo se deitava para dar um cochilo, ela ficava embaixo das mangueiras a chorar. Os filhos então, se reuniram e decidiram que eles deveriam mudar para a cidade, João Sinval não aceitou. Ela porem, decidiu que viria e em agosto de 2014 veio com a mudança , deixando o marido para trás, isso por insistência dos filhos que disse a ela que não se importasse, que ele depois viria, com certeza não aguentaria ficar sozinho na fazenda. Não deu outra, mesmo contrariado e triste , no mês seguinte, em setembro João Sinval pediu para irem busca-lo. Hoje o casal reside em Poxoréu_MT, na rua Salvador nº 37, onde moram em companhia do neto mais velho, Robson Luís Sol. A grande preocupação era a fazenda, como ia ficar. Ubiratan, o filho mais velho, resolveu arrendar a terra e cria gado, como uma forma de ajudar os pais e preservar a terra, de modo que quando sentem saudade, vão lá e ficam uns dias.Todavia, o casal já compreendeu que realmente não teriam condições de continuarem morando por lá, apesar de gostar muito do pacu e dos amigos que por fizeram, a idade vem comprometendo as condições físicas e a saúde, o que provoca certa insegurança no deslocamento de um lugar para o outro e na realização de certos serviços, levando os a concluir a necessidade de estarem amis pertos dos filhos, netos e bisnetos, bem como, de viverem em local de maior conforto, perto de médicos e do comércio.

Felipa Pereira do Lago

Nasceu em 13/09/1933,em Porto Alegre, Bahia; entre Barreiras e São Desidério,numa região conhecida por Barriguda.Felipa é filha de Maria Batista de Souza e Miguel Soares da Silva.Ela se recorad de um rio que vinha de São Desidério e passava na Barriguda de lá desaguava no Barreiras, onde antes navegava o vapor. Quando ia a Barreiras via o vapor no porto.vezes foi caminhando a pé de Porto Alegre por várias vezes A festa religios no Cantinho do Senhor dos Aflitos. Lá se realizavam orações e bailes.O pessoal passava vários dias acampado por lá,A festa era perto de um rio, e na ocasião vinha gente de vários lugares para pagar promessas. Os romeiros acampavam em barracas improvisadas com galhos de árvores.Dona Maria,mãe de Felipa teve os seguintes filhos: Aurélio,Egínio,João,Antônio,Felipa,Clementina, Paulo, Maria Paula, Pretina e José.

A família de Felipa veio da Bahia junto com outras duas famílias no ano de 1952,num caminhão “ Pau de Arara”,o caminhão tinha tábuas que serviam de banco e era coberto por lona.O caminhão pertencia a Antônio do Zezé. A família de tio Cadu irmão de sua mãe Maria) e a irmã Isabel, o esposo Adilino e os filhos..Eles viajavam durante o dia paravam alguns instantes para fazer o almoço, comer, tomar banho,lavar roupa, ir ao banheiro, continuavam a viagem e à noite paravam para jantar e dormir.Disse que a viagem era muito cansativa e por isso ela foi convidada por Antônio, o motorista para passar para a cabine.Ele estava na verdade era interessado em namorar com Felipa. Porém, ela recusou o convite, agradeceu -lhe e pediu ao moço que cedesse o lugar para sua mãe que estava gestante.Dona Maria estava grávida de Zequinha.A família de Felipa chegou em Poxoréu em mês de setembro de 1952 e o irmão Zeca nasceu em 20/03/1953. Chegaram numa tarde, e pararam em frente à casa do Senhor Rafael Cellus, próximo à Praça da Liberdade.A calçada da praça estava cheia de gente. O povo ficava admirado, olhando os viajantes sujos e cansados em cima do caminhão. De lá o carro seguiu para a casa de Antônio irmão de Dona maria. A casa ficava próximo à ponte que saia para os Currais.Antônio alugou uma casa de paredes de palha, que ficava perto da casa dele para a família de Felipa ficar. Moraram lá menos de um mês e foram morar na Água Emendada, terra de Antônio , tio de Felipa. Os pais de Felipa trabalharam e logo compraram uma terra na região do Corgão , para onde se mudaram. Depois de muitos anos os pais dela se mudaram para os Currais e por último residiram na rua Piauí.Porém, Felipa ficou morando na cidade, na casa do Tio Antônio.Logo conheceu Diolino, que morava perto, na mesma rua.Então, iniciaram a namorar e se casaram em 07/01/1953.

Diolino, nasceu em Bom Jesus da Golgueia-PI.A mãe de Diolino era mulher solteira, engravidou-se e escondeu a gravidez, quando teve a criança colocou a na porta de uma senhora que juntamente com o filho criaram aquele bebê.A criança cresceu, e assim, o jovem Diolino considerava aquela senhora como sua mãe e o filha da dona ele considerava, como pai.Os anos se passaram, aquele jovem tornou se homem e viajou o Brasil. Veio parar em Mato Grosso, mais especificamente na região do Tesouro onde tocava zabumba num cabaré). Anos mais tarde mudou -se para Poxoréu. Aqui conheceu uma senhora por nome de Davina Pereira do Lago, que ao ver reconheceu quem ele era e contou-lhe a história de sua vida. Davina era irmã da jovem que deu à luz ao menino Diolino.Disse a ele que sua mãe se chamava Balbina Pereira do Lago. Após aquele momento, Diolino procurou o cartório e lá fez a sua certidão de nascimento.Davina era tia de Diolino. Davina era mãe de Maria Pereira do Lago( Sinhá)mãe de Iva , que foi a segunda esposa de Nego Varanda.Felipa quando se casou, estava com 19 anos e também não tinha certidão de nascimento. Por isso, o sr. Amarílio Bento de Brito que era o Juiz de Paz e responsável pela celebração dos casamentos decidiu que ela deveria adotar o nome de Felipa Pereira do Lago, uma vez que seus pais não eram casados, ela não poderia usara o sobrenome dos mesmos. Mas, apenas do esposo.Dessa união nasceram os filhos: Dionésio, Dioclécio, Diomário, Maria Gonçalves,João Gonçalves, Dioneide e Lucineide.Diolino era comprador de

diamantes, trabalhou muito tempo comprando diamantes para o senhor Manoel Dioz Silva, depois da morte de Manoel Silva, Diolino passou a comprar diamantes para si mesmo e revendia para outros.Diolino faleceu em 07/05/2006, devido a complicações vasculares.Esses filhos lhes deram 15 netos:Danilo,Daniele,Denise,Cleyton,Janaína,Diego Vinícius, Felipe,Regianne,Ledianne Gonçalves,Tatiane Maria, Marina,Michelle,Mário Henrique,Mariane e Fernanda.Esses netos lhe deram onze bisnetos:João Victor,Luís Fernando, Ernesto, Lara Beatriz,Anna Carolina, Antonella,Arthur,(filhos do Cleyton)

Dona Maria, mãe de Felipa teve os seguintes irmãos(portanto,tios de Felipa):Nego,Cadu,Isabel,Clementina,Antônio e Isaul.

Antônio, tio de Felipa, foi o primeiro a vir para Poxoréu-MT. Aqui chegando, conheceu Eva e se casaramEva e Antônio são pais de Alírio,…………

Aqui em Mato Grosso, Antônio ficou sabendo das dificuldades que seus familiares estavam passando na Bahia. Naquela época chegaram a passar fome devido a seca. Então, Antônio procurou Rafael Cellus e contou lhe a situação de sua família. De imediato, Rafael tomou providências para ajudar aquele bom garimpeiro a buscar sua família na Bahia.Quando Dona Maria(mãe de Felipa) veio para MT, junto com ela vieram os irmãos Cadu e Isabel,os outros irmãos(Nego,Clementina e Isaul) já haviam morrido na Bahia.

Senhor Miguel, pai de Felipa teve os seguintes irmãos:Simeão,Isidório,Justino, Cesário e Joana.Quando a família de Felipa mudou -se para MT , apenas Simeão, irmão de Miguel stava vivo, os demais já haviam morrido. Simeão ficou na Bahia e Miguel nunca mais o viu, nem teve notícias dele.Moraram na Canabrava do Catrão, no Piri Piri dos Pires, em Porto Alegre(BA) e Piripora.

Isabel( irmã de Maria , mãe de Felipa), casou se com Isidório, irmão de Miguel( pai de Felipa).Dessa união nasceram dois filhos:Josina e Maria de Lurdes( Bia).Isidório faleceu e a prima Josina também faleceu, na época com dois anos de idade. Tempos depois, Isabel conheceu Adilino,ainda na Bahia, se casaram e dessa união nasceram Quinha,Ailton, Irenio ,Gildésio e Maria Conceição.Sendo que os dois primeiros nasceram na Bahia. Cadu( irmão de Maria,mãe de Felipa) casou-se comAdilina e tiveram os filhos:Aníbal,Ana Rita,Martinha,Agripino,Vicente e Diolino.Quando se mudou para MT, cadu já estava viúvo.Aurélio, irmão de Felipa teve como sua primeira esposa a jovem…….filha de Cadu(que era seu tio, ou seja , irmão de Maria)Dessa união nasceram Iremar e Kid.Após ficar viúvo Aurélio casou se com Gracinha, com quem teve os filhos: Admilson,Laura e Maura.

Felipa relatou com muita precisão as dificuldades que enfrentou para tratar dos filhos Dioclécio e Diomário, visto que os dois nasceram com deformações ósseas nas pernas e devido a isso eles que já estavam com 4 e 5 anos respectivamente ainda não conseguiam andar. Procuraram ajuda médica em vários lugares e depois de irem a Campo Grande, MS, de lá foram encaminhado para o Hospital das Clínicas em SP.No início do ano de 1960, Felipa estava grávida, de Dioneide, partiu com o esposo Diolino e os dois filhos( Dioclécio e Diomário) rumo a São Paulo.Seguiram viagem de carro até campo Grande e de lá foram de trem de ferro até a capital do estado de São Paulo.Chegando lá ficaram hospedados na Pensão do Alencar, na Avenida da Consolação . Visto que tal pensão ficava bem perto da Avenida Rebouças, onde fica o Hospital das Clínicas.

Considerando-se que estava gestante, Felipa teve que retornar para Poxoréu em setembro de 1960 , e em outubro deu à luz a filha Dioneide.Assim, teve que deixar os dois filhos que estavam em tratamento ficaram em São Paulo, sob os cuidados de uma senhora idosa, dona de uma outra pensão.A tal senhora cuidava de crianças que vinham de outros lugares em busca de tratamento em SP, quando os pais não poderiam ficar por lá, ao terem que retornar deixavam

com aquela senhora para cuidar das crianças.Tal senhora era remunerada pelo hospital.Aquele lugar funcionava como uma casa de acolhimento.

Entretanto, no período em que Felipa estava de resguardo em Poxoréu, o hospital cortou o pagamento e a dona da tal pensão entregou as rianças para o juizado de menores.Felipa e Diolino foram informados dos fatos.Tão logo souberam viajaram de volta para São Paulo, com o objetivo de localizar os filhos e dar continuidade ao tratamento.Diolino viajou de carro para São Paulo e Felipa que estava com uma filha de apenas dois meses, foi de avião, em companhia do amigo Osvaldo Cândido da Silva( Moreno). Lá chegando, Felipa e Diolino localizaram os meninos e foram se hospedar novamente na Pensão do Alencar, local onde ficou por aproximadamente 08(oito) anos, até concluir o tratamento dos meninos.Nesse período, Felipa veio várias vezes a Poxoréu visitar os, pais, irmãos, o esposo Diolino e os filhos Dionésio e João Gonçalves( que estavam sob os cuidados da tia Pretina),mas logo retornava. Outras vezes, Diolino ia a São Paulo visitar a esposa e os filhos. Foram tempos muito difíceis. Porém, que valeram a pena, por ver o resultado do tratamento dos filhos.Fala com pesar de não poder ter levado o sobrinho Kid que também apresentava deformações nas pernas e não contou com o consentimento do irmão para levar o sobrinho.

Felipa Pereira do Lago, estudou até a quinta série na Escola Estadual Juracy Macedo, exerceu por muito tempo a função de costureira, depois se dedicou à revenda de roupas.Sempre foi uma mulher disposta, trabalhadeira, dedicada as lides domésticas, prendada na produção de bolos e doces. Todos que tiveram a oportunidade de provar as refeições e os quitutes por ela produzidos com certeza se recordam.Porém, tais habilidades foram prejudicadas, uma vez que pouco tempo depois da morte do esposo Diolino, Felipa apresentou problemas de saúde que se complicaram e tiraram lhe a visão.Atualmente ela continua morando na mesma casa em que foi morar com o esposo pouco tempo depois do casamento, casa essa, situada à rua Maranhão Número 04, local onde criou todos os filhos.Todavia, atualmente os filhos cresceram, tomaram seus rumos e ela vive em companhia da cuidadora Lilian. Não por falta de desejo dos filhos de que ela morasse com um deles. Mas, por opção dela que resolveu continuar residindo na mesma casa.Aos finais de semana Felipa vai para a casa da irmã Clementina ( a Té). Isso para ela é motivo de orgulho. Visto que ela sente útil ao fazer companhia para a irmã que também é viúva. Dessa forma, ela recebe ajuda da irmã, que faz de tudo para agradá-la,mas também pode retribuir oferecendo lhe companhia.

Deuzalina Pereira da Silva

Deuzalina Pereira de Oliveira, nome de solteira, nasceu em 10/01/ 1937,natural de Capim Branco-MT, filha de Antônio Pereira de Oliveira e Dona Maria Barbosa de (Jesus) Pereira( Dona Mariquinha), teve como avós maternos: José Barbosa e Maria Micaela Barbosa.

Em Capim Branco a família vivia em meio a muita fartura: tinham boas lavouras e criavam gado. O pai de Deuzalina veio para Poxoréu, pegou muito diamante,juntou muito dinheiro e foi para a Bahia. A mãe, Dona Maria ou Mariquinha como era popularmente conhecida, achou que ele não voltasse. Depois de um ano voltou com os familiares: três irmãs, um irmão e os sobrinhos. Mais tarde, em 1940, a família se mudou para Poxoréo , na influência do garimpo da Raizinha.

A família tinha uma pequena chácara na cidade, que se iniciava na esquina da rua Tancredo Neves e se prolongava até a esquina do Ofertão Materiais para Construção. O terreno ia até às margens rio Areia . A casa da família ficava atrás de onde hoje se localiza o Posto do Bio.

Senhor Antônio, pai de Deuzalina tocava garimpo no local, segundo ela havia várias catras, era buraco para todos os lados. Retiravam se o cascalho que era lavado no Rio Areia. Local onde pegaram muitos diamantes e também onde seu pai foi assassinado em 1944, numa discussão com garimpeiros, por causa de percentagem de diamante. Deixando Dona Mariquinha Viúva com sete filhos para criar: Eucário , Regina ,Agenor , Liberalino , Deuzalina , Ananias e Pedro.

O que é o bairro Areia hoje, na época em Deuzalina morava tinha uma estradinha estreita de solo bem arenoso até chegar à ponte. Na entrada da casa de Deuzalina, havia uma porteira,a região apresentava pouquíssimas casas. Se recorda da família de Seu Lindolfo: avô de Deocleciano, onde ia com frequência ao encontro da amiga Floriza., tinha também o João Preto pai da Dila, Seu Trajano Matos; pai de Laurita; Dona Elvira e Urânia da Diva, filha de Dona Miru, havia ainda o Sr. Pequeno, pai de Dr. Juvenal, ali onde é a casa do Rei do Milho.

A população se iluminava à luz de lamparinas, passava roupa com ferro à brasas, lavava roupa no rio e lá também pegava se água para o consumo doméstico. Anos mais tarde que se instalou uma bica nas margens do Rio Areia, local onde o menino Juvenal, hoje doutor, e seus irmãos pegavam água para vender pelas ruas da cidade. Carregavam a água em latas de vinte litros no lombo de jegues. Poxoréu não tinha energia elétrica. Chegaram aqui dois homens do Rio de Janeiro , um se chamava Roberto. Compraram a terra em frente da atual escola técnica e lá instalaram a primeira usina que passou a fornecer energia elétrica para a cidade. A energia era fornecida até às 22h, isto é, às 10h da noite. Depois desse horário a cidade ficava às escuras. Esse mesmo pessoal instalou o Cine Roma, que depois, antes de irem embora, vendeu para a profª Juracy Macedo e seu esposo.

Além da chácara na cidade, senhor Antônio, o pai de Deuzalina tinha uma propriedade que depois vendeu para o Sr. José Ambrósio; pai do prof. Dorival. Naquela propriedade eles plantavam mandioca, faziam farinha, tiravam cal; isto é, exploravam calcário, criavam gado e cavalo de raça para corrida, as famosas canchas realizadas nas pistas da Raizinha e no local do antigo aeroporto, onde atualmente está o bairro Jardim Poxoréu e a Prefeitura Municipal. O irmão mais velho era quem morava na fazenda, que foi vendida após a morte do pai de Deuzalina.

Em 1943, a irmã Regina se casou com Manoel Silva e Deuzalina foi morar com ela para ajudar a cuidar dos sobrinhos. Conforme relatou Deuza, o cunhado Manoel Silva foi o primeiro a ter

energia elétrica em sua casa. Antes da usina ser instalada, ele pôs luz elétrica na casa, através de motor e trouxe o rádio. Anos mais tarde os homens mudaram e venderam a usina para a prefeitura, desse período em diante a cidade passou a ter energia elétrica o dia todo.

Deuza disse que a irmã Regina era tratada com muito carinho pelo esposo Manoel Dióz . Homem muito calado, uma excelente pessoa e a casa da família era muito movimentada, sempre cheia de gente. Certa vez ela foi passear na Bahia com a irmã e os sobrinhos.. Foram de avião, Saíram de Poxoréu num avião pequeno do cunhado Manoel. O avião era pilotado por César. Daqui foram para Guiratinga e pegaram um avião grande, fizeram escala em Uberlândia, Belo Horizonte e depois Salvador. Ficaram uma semana em Bom Jesus da Lapa, depois foram para Petrolina e de lá pegaram um carro para Lagoa Alegre, onde ficaram por dois meses, em casa parentes de Manoel Dióz, isso nos meses de janeiro e fevereiro de 1950.

O cunhado Manoel Dióz era baiano e veio para Poxoréu-MtT por influência do garimpo . Aqui chegou, pegou muito diamante na Raizinha, investiu o dinheiro e passou a ser diamantário, isto é, comprador de diamantes. Manoel tinha casa, terras e três aviões. Um dos aviões tinha como piloto Antônio Mandu.

Em 1951, após um parto normal, Regina teve complicações e faleceu com tétano. A irmã deixou cinco filhos pequenos: Sutero, César, Suely, Maria Balbina e Maria Dióz. Então, Dona Mariquinha com os filhos Bio e Pedro se mudaram para a casa do genro Manoel Dióz, para ajudar a jovem Deuzalina ( catorze anos) a cuidar das crianças.

Em dezembro de 1967, o cunhado Manoel Dióz Silva foi assassinado em Cuiabá, por um pistoleiro conhecido pelo nome de Mão Branca. Fato que Deuza e os irmão sentiram muito, dado o laço familiar e de amizade que os unia.

A casa de Manoel Dióz e Regina, ficava na rua Bahia, próximo à casa de José de Acrísio. Em frente morava Joaquim Torres e sua esposa Dona Guilhermina, mais na esquina ficava a escola do irmão Prof. João Torres. João Torres era mais forte e alto, enquanto Joaquim Torres era baixinho, gordo e bem pretinho.

A Escola de João Torres era formada por uma sala de aula, no fundo haviam grandes mangueiras, ficava na esquina da rua Bahia com a rua Goiás. Bio , irmão de Deuza, estudou com João Torres.

Segundo Deuzalina, as freiras chegaram aqui em Poxoréu por volta de 1944, a escola começou a funcionar embaixo dos pés de manga e num barracão de palha. A mãe de Deuza cedeu sala na sua casa para darem aula de catecismo aos domingos à tarde, quando iam as irmãs Alzira Bastos e Raimunda. Irmã Alzira era muito enérgica.

Deuzalina estudou o ensino Primário no Externato São José. Irmã Zoé foi uma das suas professoras. Disse Deuza que teve como colegas Eliram, Darci e Urânia. Que as colegas foram para a Capital Cuiabá, a fim de darem continuidade aos estudos, uma vez que a oferta educacional em Poxoréu naquela época ia apenas até a 4ª série primária. Pedro, o irmão de Deuza foi também para Cuiabá, porque o senhor Manoel Dióz providenciou-lhes as condições, assumindo as despesas com os estudos. Por isso, Deuza estudou o primário no Externato e depois estudou no Ginásio Sete de Setembro , até o ano de 1971, quando teve como professora Eurídes Sodré, mulher de Moreno.

Deuza disse que o Externato São José era destaque pela qualidade educacional e pelo alinhamento do uniforme usado pelos alunos. As meninas utilizavam saia azul pregueada, com

suspensório, blusa branca, meias até o joelho. Havia ainda o uniforme de gala, usado em ocasiões especiais: desfile, datas comemorativas e recepção de autoridade que muitas vezes visitavam a escola, o qual era todo branco. Irmã Alzira a diretora, muito enérgica, temida pelos alunos. Ela ensinava a cantar e rezar.

Deuza foi uma jovem moderna e criada com certa liberdade que outras meninas de sua época não tinham. Ela disse que à noite, das 19h às 21h, sempre saía para passear com Mariana, parente de Manoel Dióz. Saiam de casa e andavam da esquina da rua Bahia até a esquina onde atualmente fica a loja A Pecuarista.Ia aos bailes e ao carnaval . Antes de construir o Diamante Clube, o local frequentado era o salão do Sr. Júlio Campos. Frequentava também o cinema. Dona Jove, a mãe de Dr. Edésio e de Anita, tinha uma pensão e costumava ceder o salão da casa dela para a realização de bailes.

Mesmo depois de casada, Deuzalina recebia visitas do ex- cunhado que sempre se colocava à disposição para ajudá-la naquilo que ela precisasse. Se referia a ela chamando-a por Lina e não Deuza. Imperava em Poxoréu a política entre a UDN e o PSD, segundo ela, era uma política cheia de “coisas”.Deuza também participava dos comícios, disse que iam aos comícios em carroceria de caminhões, em Jarudore, Alto Coité, Paraíso do Leste e Aparecida do Leste,se recorda das campanhas políticas de Fernando Correia, de Raimundo Pombo.O irmão Pedro trouxe em casa os seguintes políticos:Ulisses Guimarães, Dante de Oliveira,Gilson de Barros e Bezerra.

Certo dia viu Antônio Mandu; o Manduzinho como era chamado pelos colegas pilotos de aeronaves, não demorou começaram a namorar. Ele estava no hotel juntamente com os pilotos: Maquiole, Vanderley, Sebastião, Sinobilino ,Vicente Celestino e Luís.

Deuza se recorda com entusiasmo os bailes do Diamante Clube. , da festa da 10 mais elegantes e bonitas da cidade: Dalva Nascimento foi a rainha, Lili Spadoni,Floriza ( do Sr. Lindolfo), Levita e Isaltina foram destaque. Falando do comércio, ela se recorda das lojas de Ilda Noleto,do comércio dos Coutinhos:Renato, Joaquim, Manoel e Zezé, do Bar de Serafim, Bar do Baiano,Farmácia do Sr. Amarílio e do Sr. Rochinha,Bar do Moreno,

Em 1952, iniciou a namorar com Mandu.A mãe dela aceitou o namoro. Porém , o irmão Bio, não se agradou. Todavia, casar é destino, como disse Deuza. Ela namorou tantos e foi se apaixonar por alguém como Mandu.

A família de Mandu era de Campo Grande. Lá ele estudou e tirou a BREVÊ. Porém, ele era natural de Caicó-Rio Grande do Norte., filho de José Mandu da Silva e Dona Senhorinha Zelinda Mandu, os pais de Mandu constituíram uma família numerosa., tiveram 12 filhos:Manoel, Josias,José(Deco),Hermínio,Júlio,Sebastião,Joaquim,Antônio Mandu,Maria,Maria Santana,Senhorinha Zelinda e Rita.

Josias morou em Poxoréu por três anos.O casamento de Deuza aconteceu na Igreja São João Batista , no dia 11/04/1953 e a festa foi na casa de Manoel Dióz Silva. Após o casamento, Deuza foi morar na casa da rua Paraíba que atualmente é do Zelito. A mãe e os irmão continuaram morando na casa de Manoel na rua Bahia. Em agosto de 1953, Manoel Dióz se casou com a jovem baiana Josélia Neves da Silva, com quem teve três filhos: Manoel Dióz Silva Júnior,Majoreth, e Margareth.

Em 1955, Deuza se mudou para uma casa em frente ao Cine Roma.Do casamento com Antônio Mandu, Deuzalina deu a luz a cinco filhos, todos de parto normal: Antônio Carlos da

Silva(28/04/1954), Norma Mandu da Silva Vilela(19/02/1956), José Carlos Mandu da Silva(19/03/1958),Noêmia Mandu da Silva (23/03/1960) e Francisco de Assis Mandu da Silva( 05/03/1963).

Apesar de todos os filhos terem nascidos de parto normal, Deuza teve sérias complicações nos partos de Carlos e de Norma, quando a parteira pediu para chamar o médico Dr. João Figueiredo e falou que teriam que tirar os bebês a ferro .Norma nasceu num domingo de Carnaval.Zeca e Noêmia,nasceram de um parto rápido, feito por Dr. João e a enfermeira Júlia do Chico Mamãe;no parto de Chico quem atendeu Deuza foi Dr. Muniz. Anos mais tarde, Deuza foi a Campo Grande e lá fez a laqueadura.

Em 1963, Mandu parou de pilotar, passou a se dedicar aos cuidados do Posto Texaco. Porém, ainda tinha um avião , que vendeu quando foi para Coxim em 1968 e chegando lá comprou outro avião, ele tinha uma verdadeira paixão por aviões e pelo ato de pilotar. Era um piloto admirado por muitos e era muito querido pelos pilotos daquele período, que sempre o chamavam de Manduzinho.

O esposo Antônio Mandu ingressou na vida política e se elegeu duasvezes ao cargo de vereador: em 1962(175 votos) e 1966(244 votos).Em 1968, durante a votação da mesa diretora da Câmara Municipal, ele se elegeu presidente da Câmara., tempos depois, Lindberg Ribeiro Nunes Rocha, ausentou se do município e foi para São Paulo, submeter se a uma cirurgia do olho. Entretanto, quando ficou sabendo que Mandu iria substituí-lo no cargo de prefeito, Lindberg chegou e reassumiu o cargo de prefeito, com isso iniciou-se uma rivalidade política entre eles. Durante muito tempo Mandu apoiou o grupo dos Rochas.

Em 1968, Mandu teve um desentendimento com a esposa Deuzalina, vendeu o avião, vendeu a parte dele no posto para o cunhado Pedro e foi embora para Coxim, MS.; Ficou morando por lá quase um ano. Porém, de vez em quando vinha a Poxoréu, visitar os filhos, nessas ocasiões Deuza e os amigos avisavam para ele ficar por lá porque Ró Coco andava falando que iria mata-lo. Todavia, Mandu , não levava a sério as recomendações e nem tão pouco as ameaças que Rói Coco fazia.

Em novembro de 1969, Mandu chegou ao anoitecer em Poxoréu, foi à casa de Deuza, visitou os filhos e ela mais uma vez recomendou-lhe que tomasse cuidado.

No dia seguinte aconteceu no Diamante Clube a apuração das eleições municipais. Era meio dia, quando Mandu passou pelo Bar Continental, conversou com João Sinval, Sr. Eli Vieira e o Senhor José Carrinho, saiu, conversou com Zezé Coutinho e seguiu, logo em seguida se ouviram tiros em meio aos fogos que celebravam a vitória de Lindberg . O pessoal dirigiu o olhar para a direção dos tiros, inclusive João Sinval e os amigos e lá estava Mandu caído ao chão. Enquanto um homem , com revólver na mão, corria rua abaixo , em direção à rua Minas Gerais, passando pelo Bar Continental, seguiu para a Vila santa Terezinha. Era Rói Coco que havia atirado em Mandu.

Enquanto isso, por volta de meio dia , um funcionário do posto chamou aos gritos por Deuzalina. Ela inicialmente achou que fosse Nadir que estivesse dando à luz ao filho que estava esperando. Mas não. Logo viu que era algo muito sério, dado o tom de desespero do rapaz e a filha Noêmia que também gritava , falando que havia visto o pai passar ensanguentado dentro de um JIPE, indo em direção da ponte do Areia. Naquele momento Deuzalina percebeu que as ameças que Rói Coco vinha fazendo havia se concretizado. O que logo o funcionário confirmou-lhe ao dizer que tinham atirado em Senhor Mandu, e ele já estava no hospital.

Deuzalina se dirigiu para o local. Porém, quando lá chegou , Mandu já estava sem vida.O grande amor de sua vida tinha dado adeus para sempre à Deuza e aos filhos. Carlinho, o filho mais velho estava com 14 anos, Norma com 12, Zeca com 10, Noêmia com 08 e Chico com 05 anos.

Deuzalina estava com 05 anos quando perdeu o pai num assassinato. Com a morte do esposo, ela viu como se um filme estivesse repetindo em sua vida. Principalmente ao ver o desespero dos filhos e ela tendo que buscar forças para confortá – los.

Segundo Deuzalina, Mandu era um homem alegre, festeiro, não deixava faltar nada em casa, havia sempre muita fartura. Presenteava a esposa com belas joias e gostava de ir com ela às festas, era pai e esposo amoroso, carinhoso com as crianças, principalmente com Norma e Carlos. Ele gostava de todos os filhos. Mas, tratava esses dois com mais xodó.

Conforme explicou Deuzalina, antes de ir embora para Coxim, Mandu vendeu a parte dele no posto para Pedro, que passou a ser o sócio de Bio.Deuza, que morava numa casa atrás do Posto, em 1973 mudou se para a casa de Gilbert de Sueli e em 1982 vendeu para Pedro, o irmão de Deuza. Somente em 1983 Deuza foi morar na sua atual casa, projeto elaborado pelo filho Zeca, que na condição de engenheiro civil fez o seu mais emocionante projeto , desenhar a casa de sua mãe, de modo dar lhe conforto e a satisfazer os desejos da casa idealizada e que ele muito bem conhecia.

Deuzalina , em 1951 perdeu a irmã Regina, com quem tinha fortes laços de afeto, visto ser a irmã mais velha, a pessoa que muito lhe ensinou e ajudou , oferecendo lhe conforto, passeios e condições de conviver em meio a alta sociedade da época. Em 1965, perdeu a mãe,mulher forte, trabalhadeira, morreu repentinamente, vítima de infarto fulminante. Em 1967, perdeu re pentina e dramaticamente, através de um assassinato, o cunhado, Manoel Silva, pessoa que deu todo conforto a Deuza e a tratava como uma filha. Diante de tantas perdas de pessoas importantes e queridas, Deuza, a jovem festeira, alegre e independente, se encontrava sem chão, tendo que enfrentar o novo desafio, de ter que superar a perda do marido e criar cinco filhos, sem a ajuda, da mãe, do pai, da irmã e do cunhado. Todavia, Deuza contou com o apoio incondicional dos irmão Pedro e Bio que sempre estiveram ao lado dela. Pois, os filhos se mostravam inconformados, sempre triste e deprimidos, não conversavam, não queriam mais estudar, principalmente Carlos, que chorava muito e depois quando voltou para a escola, ao voltar do colégio, quando chegava em casa, ficava sempre fechado no quarto, Naquele momento, foi importantíssima a presença do mestre Armando Catrana que sabendo dos fatos, e tendo recém chegado a Poxoréu, passou a visitar a família para ajudar , envolvendo as crianças nos projetos que passou a desenvolver na cidade. Por isso, vinha busca-las em casa para ajuda-lo e para participar das atividades , de modo a ocupar o tempo delas, para que não ficassem pensando nos fatos da morte do pai. Armando não só envolvia as crianças nas atividades, ele também visitava a família de Deuza e perguntava a ela como estavam os filhos , se estavam obedientes a ela, se estavam estudando. Isso para ela foi fundamental na educação dos filhos e na superação do vazio que a morte de Mandu deixou na vida das crianças.

Após a morte de Mandu, Bio e Pedro, os irmãos de Deuza tomaram a frente dos negócios, inclusive coube a eles vender o avião de Mandu, que estava no aeroporto de Poxoréu. Meio de transporte que ele usou para chegar na cidade no dia anterior à sua morte.

Deuzalina teve o apoio da família de Mandu e até hoje eles a consideram muito, não se afastaram após a morte de Mandu, continuam unidos e atenciosos com ela.

Os irmãos Bio e Pedro foram fundamentais na vida de Deuzalina, principalmente após a morte do esposo dela, uma vez que ela não se envolvia nos negócios do comércio, quem cuidava de tudo era o marido e o irmão Bio que era sócio.

Com a morte de Mandu, Deuzalina teve que enfrentar o desafio da ausência do esposo e de ser forte diante dos filhos para poder ajuda-los. Porém, ela ficou um ano usando luto. Até que um determinado dia o filho Carlos chegou e lhe pediu para tirar aquilo. Pois, ver a mãe com aquelas roupas tornava mais difícil para ele superar a perda do pai, ele não conseguia ver a mãe daquele jeito.

Com a morte de Mandu,a vida da família mudou totalmente. Deuza estava sempre amedrontada, com receio que alguém abordasse a ela ou aos filhos e tentassem tira-lhes a vida. Sempre que ouvia um barulho ou avistava alguém estranho já se preocupava e foi passando essas preocupações para os filhos, foram seis meses sem ninguém sair de casa. Não deixava que eles fossem para a rua ou a casa de colegas, iam apenas na igreja e na escola.. Só passaram a sair em companhia de mestre Armando. Além disso ainda enfrentavam as dificuldades financeiras. Após a morte de Mandu o padrão de vida da família mudou muito.Ele criou os filhos tendo de tudo e não permitia que eles pedissem dinheiro para os outros. Sempre dava dinheiro em altas quantias para as crianças e pedia a elas que quando precisassem pedissem para ela , mas não pedissem para ninguém na rua. Gostava de ver os filhos sempre limpos e bem vestido, Era muito vaidoso . O filho Carlos tinha apenas 08 anos e já andava de ternos, calçados caros e cintos; Todas as vezes que viajava, ao voltar trazia presente para as crianças. comprava terno e bons calçados e cintos para Carlos e gostava de levar o filho para viajar com ele, e nessas ocasiões deveria estar bem vestido.Deuza disse que ela sempre preparava, isto é, banhava os filhos e os vestia para esperar o pai chegar das viagens.

A alternativa foi por todos para trabalhar. Então, Norma, que era a lavadeira da casa, passou a trabalhar na agência de passagens com a Nair Tunes, na rua Minas Gerais, onde hoje está localizado o mercado do Raul Pinto.

Noêmia era a faxineira da família, levantava bem cedinho, ainda com o escuro para limpar a casa. Naquela época tinha que encerar e bater a enceradeira. Às sete da manhã a casa tinha que estar limpa para depois ir para a escola. Zeca começou a trabalhar no cartório do Sr. Aquilino Souza Silva. Chico passou a vender arroz doce no Posto, para as pessoas que iam lá abastecer os veículos ou comprar óleo para o garimpo e para as lavouras.

A vida é constituída de momentos. Ora bom, ora ruim. Novamente Deuzalina teve que encarar novos momentos de perdas. Em 2003, o filho Francisco de Assis Mandu; o Chico, morreu de repente, com ataque cardíaco, enquanto participava de uma partida de futebol com os amigos em Cuiabá.E em outubro de 2015, morreu o filho Zeca; José Carlos, vítima de câncer.

Anos mais tarde Carlos e Zeca foram para Cuiabá e ficaram hospedados na Pensão de Dona Diouro.As despesas de Deuza e da família eram custeadas com o dinheiro do avião do marido que ela vendeu e deu o dinheiro a juro para um sobrinho. Com a renda que recebia mensalmente ela completava como que os filhos ganhavam e assim criou, educou e sustentou todos os filhos.

Após um ano de luto, Deuza voltou a participar da vida social: bailes, carnaval, festas de São João, formaturas, casamentos, e batizados.Muitas amigas a aconselhavam a se casar novamente, visto que ela ficou viúva jovem, com 33 anos.Porém, Deuza optou por se dedicar a criação dos filhos e não se arrependeu por isso. Todos estudaram, se formaram e constituíram famílias e deram-lhes lindos e bons netos e os netos já deram bisnetos.Filhos de Norma Com Luís Ribeiro Vilela(LU): Antônio Ribeiro Vilela Neto( 29/07/1981) e Maria Carolina Ribeiro Vilela (05/05/1984); filhos de Antônio Carlo e Sandra Nery: Antônio Florêncio Mandu Nery( 06/02/1987), Renata de Carlo Mandu Nery(29/07/1985) e Anna Cala de Carlo Mandu Nery(13/04/1993); filho de Zeca :Rafael Mandu Ferreira(25/01/1984), filha de Chico e Walquíria: Inara Mandu Fonseca Ferreira(13/02/1987),Filha de Noêmia e Edson: Luciana Mandu Martins (30/05/1989). Os filhos de Carlos lhe deram os primeiros bisnetos. Filhos de Antônio Florêncio:Antônio Neto(19/08/2005) e Antonella Figueiredo Lago Nery Mandu( 08/07/2015), filhos de Renata: Antônio Victor(03/08/2011) e Leonardo (20/04/2015).

Dona Deuza disse que com o progresso , muita coisa melhorou. Porém, reclama do comportamento das pessoas, que se entregam ao uso do celular e às vezes num local há muitas pessoas e não se falam uma com as outras, porque se ocupam com o celular e não dão atenção às pessoas.Recomenda que é preciso ter mais amor entre as pessoas. È preciso ter educação e dar atenção aos outros. Principalmente no trato com os idosos, é preciso ter paciência e carinho com eles. Sente -se triste quando vê que há pessoas que parecem ter vegonha de seus velhinho. Disse que a família que tem um velho deve se sentir orgulhosa e amá-lo. O ser humano precisa reconhecer que vale a pena viver a vida. As pessoas precisam dar mais valor à vida, expressar carinho às pessoas que gostam enquanto podem fazer isso. Relembrou que no dia 29 de julho se comemora o dia dos avós e até aquele momento somente uma neta havia lhe parabenizado pela data, quem sabe os outros ligarão mais tarde. Disse ela.

Deuza relatou com emoção os desfiles escolares que participou e falou também do prazer que sentia ao preparar os filhos para os desfile. Disse que anão só ela, mas a população toda gostava de assistir aos desfiles. Hoje fica sentida quando percebe que as pessoas não dão valor a isso. Desejaria muito ver o retorno dessas manifestações culturais.

Atualmente o passa tempo de Deuzalina é orientar nos cuidados com a casa, cuidar das plantas, assistir TV, fazer crochê , palavras cruzadas e ler.Também gosta de visitar e bater papo com as amigas Josélia, Julieta e Mariinha. Além, é claro de passear com a filha Noêmia e a Neta Luciana, pessoas com que Dona Deuza mora.

Izabel Alves Vieira

Natural de Poxoréu, nasceu em 27/11/1938, numa casa situada na Rua Bahia, ao lado de onde hoje mora José de Acrísio. Filha de José Alves Castelhano – natural de Machado Portela (BA) e Elvina Abreu Valadares de Melo – natural de Filadélfia (GO).

José Alves Castelhano casou-se ainda novo na Bahia, lá ficou viúvo e veio para Mato Grosso, na região da Chapadinha (Tesouro – MT), onde conheceu Dona Elvina que estava fazendo companhia para a irmã Luiza. Elvina tinha 16 (dezesseis) anos e José Castelhano 34 (trinta e quatro) anos. José Alves Castelhano nasceu em 28/02/1891, era filho de Miguel Ferreira Castelhano e Inocência Alves Castelhano. Elvina de Abreu Valadares de Melo, nasceu em 08/11/1909, filha de Sérgio Pereira de Melo e Maria de Abreu Valadares. Após o casamento, o casal morou pouco tempo em Chapadinha (Tesouro – MT), em 1928 vieram para Poxoréu.

Bela morou na Rua Bahia até os 3 (três) anos de idade, quando se mudou para a Fazenda Caracol, à beira do Rio Poxoréu, vizinha ao atual Bairro Maria Sabina. Era uma fazenda local em que plantavam, criavam gado e cavalos e também tocavam garimpos. Porém, foram aos poucos vendendo partes da terra, atualmente resta um sítio da família, onde Bela e os filhos Toninho e Eliane vão com frequência. Lá ainda está preservada a casa dos pais de Bela, local que a mesma se recorda com carinho, sentindo saudades da sua infância feliz, em que nas noites de lua se juntava com as crianças da vizinhança para brincarem de “roda”, “pegador” e “minha direita está vazia”, entre outras brincadeiras.

Bela se recorda que em frente à sua casa da Rua Bahia morava o Senhor Joaquim Torres e a esposa. Desta casa, ela não guarda muitas lembranças, todavia, a imagem que tem na memória é a do dia da mudança, um armarinho com as louças da mãe que estava no chão todo desarrumado para ser transportado.

Na esquina da casa de Joaquim Torres ficava a sala de aula onde João Torres, irmão de Joaquim, lecionava. Jovino, Enedina e Moacir, irmãos de Bela, estudaram com João Torres, professor famoso por seus métodos pedagógicos e disciplinares. Era energético e usava uma palmatória pesada para corrigir os alunos, colocava os alunos de castigo na frente da escola com as mãos para cima, dizia que era para as pessoas verem e os alunos criarem vergonha. Assim, esperava que eles não cometessem novos erros.

O professor João Torres era do convívio da família de Bela, ele ia todos os dias tomar o café da manhã em sua casa, visto que ele não tinha esposa, morava com o irmão Joaquim Torres e a cunhada Dona Guilhermina.

Joaquim Torres era exportador, vendia diamantes no Rio de Janeiro e de lá trazia belas revistas, com as quais presenteava Enedina, irmã de Bela. Era a Revista Cruzeiro, revista grande, bonita, com fotos de mulheres, praias e prédios maravilhosos. A praia de Copacabana estava sempre retratada nas revistas. Bela se encantou pelos prédios, tanto que durante as brincadeiras costumava amontoar as pedras e dizia que ali era seu prédio, a menina Bela fazia prédios com as pedras de cascalhos do garimpo. E ali sonhava.

O Senhor José Alves Castelhano, veio da Bahia sozinho, isto é, deixou lá todos os familiares (pais e irmãos). Anos mais tarde o seu irmão Jovino Castelhano (tio de Bela), veio a Mato Grosso, mais especificamente a Tesouro, buscar o irmão, a pedido da mãe. Chegando, José não quis ir embora e o irmão Jovino se encantou com os garimpos, ficando no garimpo da Raizinha e o pai de Bela no garimpo do Tesouro.

O Senhor Jovino tinha amizade com os maranhenses, e quando os baianos atacaram os garimpeiros da Raizinha, dois maranhenses pediram abrigo a Jovino e se esconderam em seu barraco. Logo em seguida, chegaram alguns baianos a procura dos maranhenses e Jovino disse não saber deles. Os baianos saíram para pedir reforço por estarem certos que os maranhenses estavam escondidos ali, e Jovino percebendo a situação, pediu para os maranhenses saírem correndo. Os amigos de Jovino pediram para ele deixar o barraco rapidamente, eis que os baianos iam atacar e matar todos.

Assim sendo, Jovino foi ao encontro do irmão José Castelhano, que morava na região do Tesouro. Castelhano, pai de Bela, que já havia sido avisado, também foi ao encontro do irmão e encontraram-se no meio do caminho, quando resolveram entrar na revolução em defesa dos maranhenses.

Em um dos embates na região de Santa Rita do Araguaia, um indivíduo do grupo traiu os colegas e foi avisar os membros do outro lado os detalhes dos planos de ataque, quando tinham combinado de passar a noite de tocaia se preparando para atacar no dia seguinte. O grupo dos irmãos Castelhano foi surpreendido nesse ataque, o qual Jovino foi atingido com uma bala explosiva no peito, caindo ao chão. O irmão José, que estava próximo, tomou como primeira providência ascender um fósforo para colocar nas mãos do irmão, visto que a tradição era por uma vela nas mãos na hora da morte, não havendo vela, ascendeu uns palitos de fósforo. Antes de morrer, Jovino ainda pronunciou as seguintes palavras: “ – Vim de tão longe para morrer assim.”

Essas palavras ficaram marcadas na memória de José Castelhano, pai de Bela, que depois cavou uma cova rasa e enterrou o irmão, próximo a Santa Rita do Araguaia.

Com o final da revolução, Castelhano voltou para casa cabeludo, barbudo, sujo, magro, com o semblante de cansado e de intensa tristeza, pois se sentia culpado pela morte do irmão, que por várias vezes pediu para saírem da revolução, porque queria voltar para a Bahia, junto à família. José Castelhano não teve coragem de comunicar aos familiares na Bahia sobre a morte do irmão. Muitos anos depois, quando Moacir Castelhano, irmão de Bela, foi à Bahia com a esposa Glória, é que informaram aos parentes sobre o que havia acontecido. José Castelhano em homenagem ao irmão, colocou o nome de seu primeiro filho de Jovino.

Na Fazenda Caracol moravam várias famílias, além da família de Bela. Assim, quando Enedina, irmã de Bela, saiu do Externato São José e foi para a fazenda, ao ver a quantidade de crianças sem estudar, resolveu conversar com o seu pai e com os vizinhos para que ela pudesse lecionar para aquelas crianças. Os pais ficaram encarregados de darem uma ajuda financeira para custear as despesas e ela pudesse lecionar. Acordo feito, Enedina passou a ensinar para umas quinze crianças, entre elas estava a menina Izabel, com nove anos, iniciando a sua vida escolar.

Porém, a escolinha funcionou por apenas 4 (quatro) meses e parou com as atividades. Mesmo assim, Bela aprendeu a ler, escrever, calcular, concluiu o ABC, a Cartilha do Povo e o 1º livro.

Somente com 12 (doze) anos é que Izabel foi matriculada em uma escola oficial, para estudar de forma sistemática. O pai de Bela sempre adiava a entrada dela na escola, dizia que iria comprar uma casa na cidade para que ela pudesse estudar e isso foi atrasando. Cansada de esperar, a sua mãe Senhora Elvina, tomou a iniciativa e matriculou os filhos mais novos Bela, Valdir e Odair na escola, eis que já estavam passando da idade de estudar e Moacir, um dos filhos mais velhos, já estava estudando fora. A Senhora Elvina tinha um sonho de ver seus filhos todos formados, por isso trabalhava muito para ajudar o seu esposo.

A primeira escola que Bela frequentou, funcionava na Associação Garimpeira, na Rua Mato Grosso, em frente a farmácia do Senhor Rocha. Os alunos estudaram ali por pouco tempo até que o prédio do Grupo Júlio Müller ficasse pronto.

Quando foram estudar no grupo, os pais tiveram que comprar uniformes para que seus filhos fossem para a nova escola, uma vez que antes não se exigia seu uso. Era uma escola bem simples, destinada aos filhos de garimpeiros, diferente do rigor do Externato São José.

As alunas do Grupo Júlio Müller usavam meias brancas, sapatos pretos fechados, saias azuis pregueadas, e um laço de fita branca, Bela disse que as meias não eram iguaizinhas, havia alunas com meias brancas com listras de outra cor, outras de cores diferentes. Isso serviu de chacota por parte das alunas do Externato que andavam sempre impecáveis, que ao ver aquilo, começaram a zombar das alunas do Grupo.

Bela disse que sentiu uma felicidade indescritível quando entrou no Grupo, no dia da inauguração. O prédio lindo, imenso, novinho, com carteiras de madeira, formada pela escrivaninha que tinha sobre ela um tinteiro com gaveta e uma cadeira conjugada. De segunda a sexta-feira havia aula normal e aos sábados havia aula de bordado, desenho, poesia e matemática. Consuelo foi a primeira professora de Izabel, lá no Grupo. Era uma professora maravilhosa, tanto para ensinar quanto no trato com as crianças.

Bela e Pedro, irmão de Paraguaita, eram alunos destaque da turma. A professora Consuelo incentivava Bela e os outros alunos a declamarem poesia na concentração, que acontecia na frente da escola e as pessoas da rua presenciavam as apresentações. Bela adorava se apresentar, mas certo dia a professora pediu que ela declamasse bem alto para que todas as pessoas ouvissem, quando começou, ficou muito nervosa e foi perdendo a voz, quase não conseguiu terminar a poesia. Após o término, a professora acolheu a menina com todo carinho, dando-lhe água com açúcar para que ela se acalmasse. Porém, daquele dia em diante Bela nunca mais declamou poesia alguma. Até hoje ela gosta muito de poesia, mas ler em voz alta ou declamar, nunca mais. Bela disse que seu pai também gostava muito de ler, declamar e criar poesias.

Além de ter ingressado tarde na escola, Bela não concluiu o primário. Em 1954, foi para Cáceres ajudar a cunhada Adonai, esposa de seu irmão Jovino, a cuidar das crianças enquanto a mesma fosse para o hospital para dar à luz. Em 1956 a jovem Izabel, com 18 anos de idade, retorna a Poxoréu. Porém, não retornou aos estudos, porque não queria estudar à noite, visto que morava no sítio e ficava difícil vir para a escola. Durante o dia ela não se sentia à vontade em ter que frequentar uma sala de aula junto com crianças, pois sentia-se envergonhada.

Até os 30 (trinta) anos Bela morou com os pais no sítio. Ali ajudava fazer de tudo um pouco, ajudava a mãe nos serviços domésticos e também ajudava o pai na roça (plantando e colhendo). Naquela época, com a empolgação do garimpo, era difícil achar alguém para trabalhar na roça, o Senhor Carcará era o único que aceitava parar uns dias de garimpagem para trabalhar com o Senhor Castelhano na roça.

Na Fazenda Caracol, também se criava cavalo de corrida. A jovem Izabel apreciava as corridas de cavalo, que naquela época eram chamadas de canchas. Ela disse que as canchas aconteciam em pistas que ficavam na Pedra Branca e na Vila Cruzeiro, se recorda do cavalo Bico-Branco e de um cavalo famoso por nome de Garcinha que vinha lá da região de Guiratinga. Moacir e Odair, irmãos de Bela, eram jóqueis que montavam nos animais de seu pai.

Numa determinada corrida, alguém pegou o cavalo do Senhor Castelhano e correu bastante com ele na estrada, para que o cavalo ficasse cansado a tal ponto que não estivesse bem para correr. O Senhor Castelhano ficou sabendo do que haviam feito para prejudicá-lo, e mesmo enfrentando a fúria dos concorrentes, cancelou a corrida, haja vista que o seu cavalo não tinha condições de competir. Isso era algo sério, uma vez que o evento movimentava a cidade, vinham concorrentes de Guiratinga, Tesouro, Rondonópolis e outros municípios vizinhos e as pessoas apostavam dinheiro nos cavalos.

Outro fato que ficou marcado em sua memória, foi quando pela primeira vez um enorme avião Cruzeiro pousou no aeroporto de Poxoréu, que naquele dia juntou uma multidão de pessoas lá para ver. Dona Auribela era a responsável pela venda das passagens dos voôs. Por diversas vezes, o Senhor Castelhano viajou no Cruzeiro para Cuiabá, principalmente para ir ao banco.

Os pais de Izabel eram devotos de São Pedro, por isso, todos os anos no final de junho faziam fogueira, assavam carne, batata, mandioca, serviam bolo e rezavam o terço, depois realizava-se o baile. Os devotos rodeavam a fogueira para batizar as crianças, outros caminhavam descalço sobre as brasas da fogueira para expressar a fé e devoção ao santo. Tendo fé, não se queimava.

O jovem Lauriano garimpava na região e todos os dias passava em frente a casa de Izabel para ir ao garimpo. Num determinado dia a tarde, quando estavam celebrando o aniversário de Bela, um grupo de pessoas começou a tocar pandeiro, outros tocavam violão e ainda tinha alguém tocando sanfona, quando de repente Lauriano, que por ali passava, foi convidado para participar da festa. Ele parou e começou a dançar com Bela. Naquele momento, no dia 27/11/1963, começaram a namorar, depois de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de namoro noivaram e 2 (dois) anos após o noivado, se casaram.

Em 10 de maio de 1968 na Fazenda Caracol, realizou-se a cerimônia de casamento de Izabel Alves Castelhano e Lauriano Francisco Vieira. Ele nascido em 04/10/1937, natural de São Desidério (BA), filho de José Vitalino Vieira e Elisa Pereira Vieira. Bela conta que não pode concretizar seu sonho de casar-se na igreja, porque a mãe de

Lauriano tinha ficado viúva e os irmãos pediram para ele ir morar com ela numa fazenda na região do Jarudore. Desse modo, não foi possível preparar a cerimônia religiosa na igreja, conforme Bela gostaria. Tanto o casamento religioso, quanto o civil aconteceram na fazenda. Outro fato que a deixou chateada, foi a padre ter lhe tirado o sobrenome Castelhano, quando lhe disse que na condição de casada passaria a assinar Izabel Alves Vieira. Disse Bela que o casamento aconteceu numa cerimônia simples, após o casamento serviu-se o almoço para os familiares e amigos mais próximos.

No dia seguinte ela foi com o esposo para Jarudore, morar na Colônia dos Mineiros com a sogra Dona Elisa. O marido Lauriano plantava roça, enquanto Bela lecionava na Escola Rural Mista da região, onde foi professora por 2 (dois) anos. Após 5 (cinco) meses da chegada do casal em Jarudore, Dona Elisa foi para Goiânia com a filha Arlinda, cunhada de Bela, para se tratar, eis que foi acometida por uma doença que atacou-lhe o coração. Em 1969 a sogra de Bela faleceu em Goiânia.

Após o falecimento de Dona Elisa, os irmãos de Lauriano convenceram-no a se mudar para Goiânia, nesta ocasião Bela estava gestante do primeiro filho do casal, Antônio José Alves Vieira, que nasceu em Poxoréu, no dia 13/06/1969. Lauriano então, começou a resumir a produção da lavoura para se mudar com a família. Nesse intervalo, faleceu o pai de Bela, Senhor José Alves Castelhano, no dia 30/06/1970.

2 (dois) meses após a grande perda, Bela e a família mudaram-se para Goiânia, local em que nasceu a segunda filha do casal, Eliane Alves Vieira, no dia 04/01/1971. A família morou na cidade apenas 9 (nove) meses, em maio de 1971 retornaram para a Colônia dos Mineiros em Jarudore, onde permaneceram até 1973, quando novamente resolveram se mudar para Goiânia. Lá chegando, construíram uma casa no Bairro Jardim América, Bela cuidava da casa e dos filhos, enquanto Lauriano trabalhava em uma fábrica de bebidas. Nesse período, nasceu Edsoney Alves Vieira, no dia 13/04/1973.

Enquanto morou em Goiânia Bela ainda chegou a estudar por alguns meses, o filho mais velho Toninho cuidava dos irmãos. Toninho era uma criança muito ajuizada e obediente, mas ela achou melhor parar, pois ficava muito preocupada com os filhos enquanto estava na escola.

Em 1976 a família resolveu voltar para Mato Grosso, mas dessa vez para morar em Poxoréu, no sítio da família de Bela. Assim que retornaram, Bela passou a estudar a noite na Escola Estadual Cel. Julio Müller, para terminar o ensino primário. Depois foi estudar o ginásio na Escola Estadual Profª Juracy Macêdo, ocasião em que mudou-se para a atual casa, na Rua Aracajú, Bairro Jardim Poxoréu, isso porque Dona Lina

esposa João Feijão a convidou para trabalhar na horta da Escola Poxoréu, que ficava localizada no Centro Juvenil, onde Bela dava aula de práticas agrícolas. Logo depois, fez o curso de práticas agrícolas e após, o curso magistério na Escola Estadual Pe. César Albisetti. Nessa época, Bela deu à luz ao seu quarto filho, Dione Alves Vieira, que nasceu em 18/04/1981.

Bela perdeu sua mãe, Dona Elvina, no dia 22 de junho de 1990, momento de profunda tristeza e dor para ela e toda a sua família, eis que neste mesmo ano já havia perdido os seus dois irmãos Jovino e Moacir.

Após concluir o magistério, fez o concurso público estadual e se efetivou como professora da rede pública estadual de ensino. No ano de 1996 fez vestibular para Pedagogia pela Universidade Federal de Mato Grosso, no campus de Primavera do Leste, concorreu com várias jovens e conseguiu êxito conquistando uma das vagas, fato que a deixou muito feliz. Com 62 (sessenta e dois) anos de idade, Izabel concluiu o curso superior de Pedagogia pela UFMT, surpreendendo a todos os colegas e professores por sua grande energia e vontade. Além de jogar basquete, praticava outros esportes nas aulas da faculdade, que era algo que sempre teve vontade de fazer quando era jovem, mas não teve oportunidade.

Dona Izabel disse que seus filhos não lhe deram trabalho, sempre foram muito obedientes e educados. Apenas teve uma preocupação maior com Edsoney e Toninho certa vez que adoeceram, mas graças a Deus nada sério. Porém, ela lamenta por não ter conseguido criar os filhos com mais conforto. Todos os filhos concluíram o ensino superior, trabalham e são plenamente capazes de manter suas famílias.

Antônio José Alves Vieira (Toninho), como é chamado por todos, hoje com 49 (quarenta e nove) anos, pai de Fernanda Oliveira Vieira e Amanda Oliveira Vieira, casado com Vanusa Galvão de Souza, é professor e atualmente está na direção da Escola Juracy Macêdo. Eliane Alves Vieira, chamada de (Nane) pela família, está com 47 (quarenta e sete) anos, é professora e reside na cidade de Primavera do Leste (MT). Edsoney Alves Vieira, aos 45 (quarenta e cinco) anos, é pai de Isabella Ribeiro Alves Vieira, Júlia Ribeiro Alves Vieira e Beatriz Delgado Alves Vieira, trabalha como gerente na empresa APSEN e atualmente reside em Niterói (RJ) com sua esposa Kayse Peixoto Delgado. Dione Alves Vieira, hoje com 37 (trinta e sete) anos de idade, casado com Pauliana De Deus Valle Vieira, pai de Lucas Gomes Vieira e Sofia do Valle Vieira, reside em Brasília (DF), onde trabalha no Banco do Brasil.

O Senhor Lauriano, esposo de Bela, faleceu no dia 22 de setembro de 2004, aos 67 (sessenta e sete) anos, em decorrência de um câncer. Se estivesse vivo, o casal completaria 50 (cinquenta) anos de casados este ano.

A professora Izabel lecionou na Escola Estadual João Pedro Torres, na Escola Municipal Profª Odete Oliveira Souza, Escola Estadual de Poxoréu e Escola Estadual Profª Juracy Macêdo. Aposentou-se em 2008. Momento em que apesar de tantos anos de serviço, foi surpreendida por uma aposentadoria compulsória, em decorrência de sua idade, e com isso perdeu os dois anos de serviço em Jarudore que não constaram em sua vida funcional.

Izabel ainda dedicou-se na criação e educação dos netos. Fernanda Kellen Oliveira Vieira, noiva de Charles Danny Santos, ela morou com a avó desde os 8 (oito) anos de idade e após tornar-se advogada, mudou-se para Brasília ; Amanda Ketllen De Oliveira Vieira Amorim, casada com Erivelton Lopes Amorim, ela atualmente cursa Ciências Contábeis e reside com a vó desde os seus 5 (cinco) anos de idade e Lucas Eduardo Gomes Vieira que morou com a avó desde os seus 5 (cinco) anos até os 11 (onze) anos, quando mudou-se para Brasília.

Izabel se sente uma mulher feliz e realizada, mas que ainda tem sonhos. Hoje, ela se dedica aos cuidados da casa, vai frequentemente ao sítio na companhia dos filhos Toninho e Nane e do sobrinho Cláudio. Deseja criar peixes lá no sítio, para isso está tomando as providências com a ajuda de Cláudio. Assim, a rotina de Bela se resume a fazer os serviços domésticos, assistir TV, pois adora as novelas e jogos de futebol, principalmente do seu time do coração Botafogo, gosta de ler histórias, livros religiosos, poesias e ir à missa aos domingos. Gosta muito de viajar, principalmente para visitar os filhos, netos e noras.

Bela espera que as pessoas sejam mais amorosas umas com as outras, que ajam com honestidade e que entendam e respeitem as diferenças de cada um, para que assim tenhamos um mundo melhor. Disse ficar muito sentida com a falta de humanidade das pessoas, principalmente com aqueles que são menos favorecidos de oportunidades. Por fim, deseja que a união de toda a sua família perdure por muitas e muitas gerações.

Anna Joaquina Correia de Oliveira – Dona Sinhá

Sinhá é natural de Guarani -BA, nasceu em 17/07/1922, filha de Manoel Cândido de Oliveira e Eduvirgens Rodrigues de Oliveira. Quando nasceu, a mãe de Sinhá já tinha outros filhos, resolveu dar Sinhá para a tia Francisca criar. Dona Francisca, de tia passou a ser a mãe da menina Sinhá deu lhe carinho, cuidados e educação . Enquanto morava na Bahia, Sinhá disse ter morado num lugarejo por nome Canabrava.

O senhor Manoel Cândido, pai biológico de Sinhá era tropeiro, profissional que naquela época fazia papel semelhante à dos caminhoneiros no dia de hoje, visto, que os tropeiros tinham a função de transportar mantimentos e outros produtos de um lugar para outro. Porém, ao invés de carro, usavam o lombo de animais: cavalo, jegue, burro e mulas. Assim, sendo, o Sr. Manoel Cândido viajava com muita frequência transportando cargas com animais, pelos sertões da Bahia, nas longas e difíceis estradas de chão.

Dona Eduvirgens, mãe de Sinhá teve 13 filhos: Eva, Anna Joaquina ( Sinhá),Maria(Cotinha), Ulcina, Carolina ( Calu), Francisca ( França), Esmeraldina( Mera), Luzia ( Lezinha),Sebastião, João Cândido, Euclides ( Quidinho),Adão, e Josemiro.

A mãe de Sinhá era muito brava, vivia atrás dela , não deixava namorar. Os namoros eram no esconderijo, como diz Sinhazinha. Era namoro rápido, não dava nem tempo para os pais saberem, já tinha outro pretendente.

Enquanto morava na Bahia, Sinhá frequentou a escola por pouco tempo, teve como professor Nozinho, que era pago pelo pai. Disse ela, que não era escola do governo, isto é , não era escola pública. Mas os pais que construíam e pagavam os professores para lecionar para os filhos e aquelas famílias mais pobres não colocavam os filhos para estudar ou os pais que tinham mais condições assumiam todas as despesas da escola e as demais crianças da vizinhança estudavam juntas.

Em agosto de 1939 os pais de Sinhá juntamente com mais outras famílias partiram a cavalo da Bahia rumo a Mato Grosso, onde chegaram somente no mês de janeiro do outro ano. Era uma viagem longa e cansativa para adultos, crianças e até mesmo para os animais. Durante a viagem, paravam para dormir, para lavar roupa e para cozinhar. Recorda que a irmã Calu quando veio para Mato Grosso, já havia se casado. Chegando em Mato Groso os pais de Sinhá vieram para Poxoréu e Calu com o esposo ficou morando em Guiratinga.

Aqui chegando, a família de Sinhá foi morar na fazenda do senhor Gino Cardosos, estrada de Cuiabá. Sr. Gino morava na cidade de Poxoréu, à Rua Mato Grosso, abaixo da casa de Major Vilela. Disse à Sinhá que ela teria que se casar, que já estava passando da idade de arrumar um marido. Então, certo dia chegou na fazenda com três pretendentes para Sinhá escolher um para ser o marido dela. Um homem era bem branco dos olhos claros, outro era bem moreno e o terceiro era moreno claro e muito bonito.

Sinhá olhou a cada um com muita atenção e mesmo vendo que José Correia era o mais escuro, se interessou por ele. Logo em seguida Sr. Gino lhe disse que dos três aquele jovem era o mais recomendado por ele. Apesar de simples e negro, era um homem bom.

Feita a escolha, Sr. Gino e os pais de Sinhá deram início aos preparativos para o casamento que não demorou. Tempos depois vieram para a cidade de Poxoréu e realizou-se o casamento, em 28/12/1942, na parte da tarde, na casa da irmã Mera( Esmeraldina), situada na Rua Mato Grosso, abaixo da Livraria do Professor Genivá

Bezerra.Após o casamento houve uma pequena reunião para a família e amigos mais próximos, ocasião em que se serviu um jantar. Após o casamento, Sinhá e José Correia ficaram morando na cidade de Poxoréu, na rua Bahia, numa casa de esquina com a rua Pará, a casa alta; segundo ela, morava perto de Dona Ilta do Valdomiro barbeiro, que tinham uma filha por nome de Nides, essa foi a casa que depois morou o Sr. Joaquim Ribeiro e família.

A casa de Sinhá era vizinha também da casa de Joaquim Torres, irmão de João Torres , o professor. João Torres, não era casado, morava na casa do irmão Joaquim.

Dona Sinhá disse que conheceu João Torres, que ele era um bom professor, muito inteligente e educado. Porém era muito enérgico, usava métodos violentos para ensinar e para executar alunos indisciplinados.

Com certo receio disse que também se recorda do fuxico de João Torres. Quando perguntei o que houve que gerou o tal fuxico, ela inicialmente não queria entrar em detalhes, depois, com certo jeitinho ela foi falando aos poucos o que houve.

Disse que as mulheres tinham o hábito de lavar roupa no córrego dos Bororos, no fundo da rua Bahia, e por lá começou uma conversa que João Torres estva pegando uma meninas na escola, isso é, estava com intimidade com algumas alunas. A conversa foi aumentando, a escola foi perdendo alunos para a outra escola e chegou no ouvido do delegado que mandou os oficiais intimar as lavadeiras para depor sobre o que estavam falando. Duas mulheres não foram intimadas, somente Sinhá e Regina, mulher de Manoel Silva.

Após ouvir as mulheres e elas nada provarem, o delegado chamou-lhes a atenção e foi até à casa de José Correia e de Manoel Silva dar a eles os parabéns pelo fato das esposas não terem se envolvido em tal fuxico.

Relatou outro fato ocorrido com o prof. João Torres. Disse que determinado dia, o padeiro que passava para entregar os pães de casa em casa e vender para outros que não tinham freguesia fixa, se sentiu apertado e precisou ir ao banheiro, como estava em frente à escola, o padeiro deixou a cesta de pães no chão e foi a uuma privada que ficava debaixo das mangueiras que ficavam no fundo da escola. Tamanha foi a supresa quando voltou do banheiro e a cesta estava totalmente vazia. Os alunos de João comeram todos os pães. O pdeiro mais que depressa reclamou para o professor sobre a atitude de seus alunos. O professor João Torres executou com a palmatória um por um dos alunos. Foram tantas as palmadas que da casa de Sinhá se ouvia o barulho. Aquilo para Sinhá era algo normal e correto. Pois, o professor tinha total autoridade para corrigir os alunos para que não cometessem mais tal ato. Ali ele tinha que ensinar de tudo e corrigir sempre que precisasse. Tanto, que os pais não reclamavam.

Na rua Bahia, o senhor Correia tinha um bar e dali retirava o sustento da família. No início da união, uma mulher lava roupa para o casl Sinhá e Correia e as refeições els faziam na Pensão de Dita ( ou Rita), nos fundos do açougue do Altino, na esquina da Rua Mato Grosso com a Bahia. Naquela época a cidade era muito movimentada e os homens na maioria das vezes andavam armados com revólver. Nos finais de semana a bebedeira se intensificava e à noite ela ouvia muitos tiros, no dia seguinte ficava sabendo de fatos que haviam ocorridos. Porém, não dava atenção, fazia de conta que não havia escutado nada. Pois não queria ser envolvida em conversas. Deitava sempre cedo, não via nada, só escutava. Portanto, não tinha como provar nada do que lhe diziam.

Anos mais tarde, Sinhá se mudou para uma casa na Rua Rosa Boróro e depois para uma casa na Rua Mato Grosso , perto de onde hoje temos o Banco do Brasil.

O casal Sinhá e Correinha tiveram os seguintes filhos:

Epaminondas,Helena,Hélio, Erondina,Ivo, Maria Elza, Ernandes, Ana Clara, Isabel, Maria Auxiliadora, José Correia Filho, Marco César e César Marco.

Epaminondas, nasceu em 20/09/1944, nesse paríodo a família ainda morava na casa da rua Bahia.

Alice Angélica da Silva

Dona Alice é natural de São Gonçalo BA, filha de Porfírio Souza da Jesus e Joana Angélica de Jesus. Os pais de Alice mudaram para Mato Grosso quando ela era bem nova, por esse motivo Alice não tem recordações da Bahia. Sabe apenas informar que conforme relato dos pais, a viagem foi longa, usaram o cavalo como meio de transporte. Chegando em Mato Grosso, estabeleceram residência em Guiratinga, o pai se dedicou ao trabalho do garimpo, ao plantio de lavoura e a criação de gado. Moravam na rua Goiás nº 89, próximo à igreja e ao Colégio Santa Terezinha. Alice teve oito irmãos:Bruno, Joaquim, José, Quirino, Leopoldo, Maria, Ana e Cirila.

A infância e a juventude de Alice foi toda na cidade de Guiratinga. Ela estudou no Colégio Santa Terezinha , Neusa Carvalho e Ivaldina também estudavam no colégio nessa época. Alice se recorda da presença firme das freiras. Porém, Alice nunca teve problema no colégio. Disse que era uma boa aluna e se destacava por cantar muito bem, o que às vezes causava certo ciúme em algumas colegas, uma vez que Alice era sempre solicitada pelas freiras para tirara os hinos cívicos e outras músicas exibidas em datas especiais naquela escola. de aprender os conteúdos curriculares ensinados na escola, no colégio ela aprendeu bordar, costurar e cantar. Desde aquela época Alice disse nunca ter perdido uma missa. Vai à igreja todas as semanas. Disse Alice que o tempo foi passando, o pai se dedicou à lavoura e os irmão ao garimpo de diamante. Os irmão dela vendiam diamante para Alexandre, um comprador de diamante residente em Poxoréu, que vez por outra ia à Guiratinga e numa dessas idas conheceu a jovem Alice. Nessa época Alexandre estava noivo com Corina, irmã de Dr. Onésimo Nunes Rocha.Então, apenas apreciou a beleza da jovem, mas não tiveram nenhum relacionamento, ele se casou com Corina, teve um filho, José Augusto. Porém, aproximadamente dois anos depois Alexandre ficou viúvo e certo tempo depois encontrou com um irmão de Alice e disse lhe que queria ver a jovem. Daí em diante não demorou, iniciaram a namorar e na data de 20 de maio de 1950 eles se casaram em Guiratinga, cerimônia celebrada por Padre João Durore e presenciada por importantes políticos da época, que residiam em Guiratinga, Poxoréu e região. Após o casamento, no mesmo dia, o casal Alexandre e Alice veio num avião teco teco para Poxoréu. Avião em que se encontrava o sr. Joaquim Nunes Rocha e outras autoridades . Chegando na cidade, foram transportados num Jippe do aeroporto até à casa de Alexandre na rua Mato Grosso( local da RM Presentes), e ali se realizou a festa para a população de Poxoréu, uma vez que Alexandre era homem influente na sociedade poxoreana e pessoa de muitos amigos.Alice se recorda muito bem dos pilotos Vanderlei e Sinobilino. Esses pilotos quando chegavam na cidade, antes pousarem eles saudavam a população fazendo manobras e vôos rasantes despertando alegria e a admiração dos moradores da vila que crescia a passos largos.

Alice disse que a cidade de Guiratinga apresentava mais conforto na época do que Poxoréu. Todavia, em Poxoréu o ambiente era muito mais alegre. Havia festa com frequência, muito casamento e as mulheres andavam sempre bem vestidas. Ela mesma tinha excelentes costureiras e os vestidos eram de seda natural, um tecido muito bonito, que hoje em dia não se vê por aqui. Dona Lia( mãe do Adolfo), Arabela( esposa do Prisco Menezes) e Doca eram as costureiras de maior renome.Além de bons e bonitos vestidos, as mulheres da sociedade usavam sapatos Luís XV. O esposo Alexandre sempre fez questão de assegurar a esposa Alice o conforto necessário para que ela sempre se apresentasse bem trajada e sempre se preocupou em garantir o conforto na criação dos filhos, boa alimentação, estudo, vestuário e ajudante para a realização dos serviços domésticos. Alice disse que ela tinha três auxiliares: uma que lavava e passava as roupas da família, outra que cuidava da casa( limpava e cozinhava ) e uma terceira que lhe ajudava a cuidar das crianças.Disse que Alexandre foi esposo maravilhoso,dava lhe de tudo e tratava a com muito carinho, com respeito, e também se dedicava a ter momentos de lazer na companhia da esposa. Se recorda que após o nascimento do primeiro filho, ele lhe disse que a convivência deles seria um pouco diferente dali em diante, teriam que se cuidar para não entrar em atrito porque tinham uma criança para criar e educar. Portanto, quando um precisasse chamar a tenção do filho que o outro não interferisse. O relacionamento entre Alice e Alexandre era tão bom que chamava a atenção dos filhos, ao ponto de certo dia o filho Ademar perguntar porque eles não brigavam. Alexandre respondeu ao filho, dizendo que el não tinha nenhum motivo para maltratar a mulher que ele ama. E disse ainda que os filhos deveriam observar como ele tratava Alice e procurasse tratar muito bem as esposas e os esposos.Certo dia, Alice estava se arrumando para ir à missa com a filha Alessandra e a filha tentou apressar a mãe. O pai logo a repreendeu dizendo lhe que Alice gostava de sair sempre bem arrumada e perfumada, então que a filha esperasse o tempo que fosse preciso.Da união entre Alexandre e Alice nasceram nove filhos , sendo que quase todos foram amamentados até cinco anos de idade: Ademar, Amorésio, César, Alexandre Filho, Aluísio, Juscineide, Juscélia, Jussara e Alessandra. Todos de parto normal feito com o apoio de Dr. João Andrade Figueiredo.

Alexandre era comprador de diamantes para Manoel Dioz Silva. Então, naquele época, Alexandre viajava muito para os garimpos de Poxoréu, Paranatinga,Guiratinga, Tesouro e regiões vizinhas.As viagens dentro de Poxoréu eram realizadas a cavalo e para outras localidade ele ia de avião.

Alice disse que a política naquela época era muito mais agitada do que nos dias atuais. Porém, ela não se opôs quando o esposo optou por se dedicar à vida política. Ela o apoiou em tudo que pode. Antes das eleições, queria que sua esposa estivesse deslumbrante para sua posse, tão certa era sua vitória, visto o grande círculo de amigos que ele tinha. Isso garantiu lhe a vitória em duas eleições.Sendo muito bem votado pelos garimpeiros, obteve 235votos em1962.O vereador mais votado nas urnas..Senhor Alexandre faleceu em 22/12/1990, vítima de um câncer.

Alice falou por várias vezes que se sente uma mulher feliz e saudável, graças ao carinho que recebeu do esposo Alexandre, do carinho dos filhos e de todos da família e graças a vida confortável que o esposo lhe assegurou. Somando-se a tudo isso , e a filosofia de vida que Dona Alice tem, em ser uma mulher que tem grande força espiritual, de muita fé em Deus, de respeito aos seus semelhantes, adora cantar, vaidosa, gosta de cuidar da aparência física( cabelos bem cuidados, unhas sempre pintadas) e está sempre de alto astral, com certeza esses fatores todos garantem a qualidade de vida que ela apresenta aos seus oitenta e oito anos.Mulher de andar elegante, ereta, corpo esbelto,boa audição, boa visão, bem vestida, alegre e comunicativa.

Dona Alice nos deixa uma lição de vida com seus exemplos e ainda recomenda que a convivência entre os casais depende muito do temperamento principalmente da mulher,que não deve discutir e causar desavença em casa por qualquer coisa e nem deve ficar especulando o marido onde foi, com quem esteve o que estava fazendo. Infelizmente o mundo de hoje está diferente. Disse ainda que gosta muito de conversar e quando está triste o melhor remédio para ela é cantar. Cantou a música “ Cabelos Brancos e Violão de Nelson Gonçalves.

Alice Tem uma família com 09 filhos/Genros e Noras(Ademar/Maria,Amorésio/Mª Auxiliadora,Alexandre/Dulciney,Aluísio,César/Aldenice,Juscineide,Juscélia/Edilson,Jussara/Wagner e Alessandra/Antônio Nival,24 :Marco Antônio, Helaine, Katiúscia, Ana Isabela, Laís,Kamila, Kássia, Karine, João Lucas, Gabriel, Ana Vitória, Antônio Vítor, Luís Fernando, Maika,Tatiane, Wátila, Marcela, Gustavo Alexandre, Isaac, Matheus, Lucas, Amorésio Filho, Amanda, Paulo Marcos, Joab. 14 bisnetos: Gabriel, João Gulherme, Pedro Henrique, Vinícius, Antônio Henrique, João Pedro, Davi Lucas, Nathann, Hyasmim, PabloHenrique, Paulo Vítor, Isabelly, Júlia e Heloísa.

Maria Letícia Nunes Gomes

Filha de: José Nunes da Mata e Ana Oliveira Nunes, natural de Barreiras –BA, nascida em 11/02/1936. Avós maternos: Antônio Ferreira Campos e Isabel de Oliveira; avós paternos: Inocêncio e Angélica .Letícia veio para Mato Grosso com 03 anos. Os avós vieram na frente, junto a várias outras famílias. Lá na Bahia eles tinham engenho de cana, faziam melado, rapadura e cachaça tinham também a oficina de farinha. Lazara, foi nome escolhido por Dona Ana para por na filha quando nasceu. Todavia, sua avó Isabel disse que o nome de ofício dela era Maria Letícia e exigiu que Dona Ana pusesse esse nome. Disse ainda que ela seria uma mulher forte , mas não morreria velha, iria ser chamada por Deus ainda forte.A avó Isabel também era benzedeira e ficou morando em Goiânia, lá tem uma rua que moram quase que somente pessoas da família. Avó Isabel era apegada a todos os netos, mas Isolina era a neta predileta, a neta do coração, como ela mesma dizia

Dona Letícia disse que a mãe sempre usava remédios naturais que evitava tomar medicamentos industrializados. Até porque ela tinha vasto conhecimento do poder de cura das plantas. Assim sendo, a menina Letícia foi criada com o uso de plantas medicinais. Plantas como quitoco, arruda, algodãozinho, hortelã e mentrasto são muito utilizadas por Dona Letícia, que aprendeu com a mãe a valorizar os conhecimentos da sabedoria popular na utilização de plantas que curam.

Os familiares da mãe de Letícia eram de bom poder aquisitivo e não queriam que ela ; Ana , mãe de Letícia viesse para Mato Grosso. Como não conseguiram convencê –la , quando chegaram em Goiás, passaram três dias em Trindade-GO para que os animais descansassem e foram para Santa Luzia –GO, Senhor Jorge , irmão de Dona Ana. Mãe de Letícia, conseguiu convencê-los a morar em Goiás, onde ficaram por dois anos, residiram então em Santa Luzia, perto de Goiânia., lá Jorge arrumou lugar para os pais de Letícia plantarem roça e escola para os sobrinhos estudarem. Porém, dois depois José que não havia desistido do sonho de vir para Mato Grosso, comunicou aos familiares da esposa que estaria partindo. Então, Sr. Jorge deu –lhe dinheiro e dois bons cavalos arriados pra que ele seguir viagem mais tranquilo.

Três meses depois de saírem de Goiás, a família chegou em Guiratinga – MT, no começo da noite. Quando viajavam sempre cuidavam para que os pousos fossem em locais seguros e com água. Assim sendo, viajaram até escurecer em busca de local que tivesse água.Moraram em Guiratinga por menos de uma ano, apesar de Dona Ana querer continuar residindo por lá, mas senhor José decidiu vir para a região de Poxoréu. Bizeca ,era amigo dos pais de Letícia. Quando tomou conhecimento que ele estava em Goiás foi lá buscar a a família e trouxe para Mato Grosso.

Nercino, tio de Letícia foi em Guiratinga e buscou toda a família para Poxoréu, para a região do Fundão, onde o avô Inocêncio possuía propriedade, criou gado e tocou roça e formou fazendas. Quando chegaram lá a terra era virgem, tiveram que desbravar , isto é, derrubar a

machado, roçar , queimar , encoivarar para plantar as roças, depois plantar capim e fazer cerca, estradas e casas.

A família do esposo Artur veio com um primo e se residiram em Guiratinga- MT e foram trabalhar no garimpo. A família de Artur ficou na Bahia e mantinham contato com os familiares através de cartas. Mas, não voltou lá para rever os familiares.

Dona Letícia casou se com Artur Pereira Gomes, natural de Santana dos Brejos-BA, nascido em 03/11/1924, filho de Francisco Manoel Gomes e Francisca Pereira Campos.No dia do casamento de Minervina , irmã de Letícia, houve uma grande festa. O casamento ocorreu à tarde. De repente, Letícia avistou um jovem bonito, bem vestido, era Artur, por quem sentiu atração à primeira vista. Mesmo contrariando os pais, Letícia começou a namorar com Artur. Depois de dois anos os pais de Letícia autorizaram o namoro. Depois de cinco anos de namoro eles se casaram, em 11/01/1952. Artur comprou terra próximo O Senhor Chiquinho esposo de Minervina, ou seja cunhado de Letícia.

Artur era muito amigo de Menino Velho. Quando jovem estavam sempre juntos. Trabalhavam no garimpo. No dia do casamento de Artur e Letícia Menino Velho chorou. Provavelmente receoso de que não fosse mais contar com a presença do amigo Artur como contava antes, nas festas, no trabalho e nas viagens. Certamente imaginou que o amigo iria se afastar dele. O que não ocorreu, tanto é prova que a convivência entre eles continuou que se tornaram compadre por três vezes. Antes de falecer, Artur recebeu a visita de todos os filhos, netos e bisnetos, bem como de parentes e amigos. Ele parecia sentir que a morte estava se aproximando. Pois, naqueles dias conversou tanto e contou inúmeras histórias, mais do que era de costume. Dona Letícia disse que atualmente sente que ela não viverá por muito tempo, seu dia está para chegar. Disse se sentir uma mulher realizada, com os filhos criados que a amam e a respeitam. Falou que após a morte do esposo ela imaginou que não fosse aguentar e que fosse ficar fraca da cabeça. Porém, hoje sente que ele mesmo depois de morto continua ao lado dela e está a confortá la.( abaixo foto de Artur, Letícia e Padre Pedro- Bodas de Ouro do casal)

Um determinado 13 de junho ficou marcado na memória da família, época em que já moravam em Jarudore , mas naquele dia estavam na fazenda, fazendo rapadura. Havia uma reza de Santo Antônio na casa de Seu Agripino e Valdete insistiu com os pais para leva la. Porém, eles disseram lhe que não iria porque ela estava com febre muito alta. Iriam limpar as coisas e voltar para Jarudore. Tinham trabalhado todo o dia anterior na beira dos tachos preparando o tão apreciado doce e no dia seguinte, Valdete e Francisco) foram lavar os tachos, Valdete não se sentiu bem, disse estar meio tonta, voltou então para casa e quando chegou próximo à fornalha apoiou se na mesma para passar aquele mal estar. Quando de repente piorou e caiu dentro da fornalha ainda com as brasas em chamas. O irmão Francisco saiu correndo e socorreu a irmã que estava muito queimada, arrancando a pele do corpo. Como

relata Ana, sua irmã, Valdete foi deitada no carro de boi, acompanhada pelos irmãos Francisco e Ana. O pai Artur conduzia o carro e Dona Letícia foi montada num cavalo, levando Maria, a filha caçula. Os irmão perguntavam a todo momento para Valdete como ela estava e tentavam consolar a mesma. Quando chegaram em Jarudore, imediatamente pediram socorro ao farmacêutico Sr. João Sinval que a partir daquele momento deu total atenção à menina, inclusive ia visita la e levar novos medicamentos, para que Dona Valdira Araújo Rocha, madrinha de Valdete fizesse os curativos. O pai forrou a cama de Valdete com folhas de bananeira e passavam a noite cobrindo a com um lençol suspenso para não grudar lhe no corpo, tamanho era o grau das queimaduras. Certo dia foram vencidos pelo sono e deixaram o lençol tocar lhe a pele. Meu Deus quanto sofrimento, quando puxaram o lençol a pele saiu grudada. Valdira limpava os ferimentos passando pena de galinha para não ferir mais. Um dos remédios usados naquele período, além das pomadas, é claro, ASAFÉTIDA, esse era um remédio para tudo.

Sempre recomenda os filhos a manterem se unidos, viverem em paz. A união é uma riqueza. Por isso, procura mantê los unidos até os maridos dos netos e netas.Falou que muitos casais a procuram para pedir oração pelo matrimônio, pelos filhos e pela felicidade da família. Disse que sempre foi sincera com as pessoas que a procuravam, nunca falou apenas para agradar, falava o que ela via ou sentia e orientava as pessoas.Ensinou que nunca se deve varrer a casa logo após o marido dela sair. Assim fazendo a esposa estará jogando seu marido fora. Falou também que não se limpa a casa após uma festa ou a visita de pessoas queridas. Deve se fazer isso no outro dia, para manter a amizade, a sorte e a alegria, proporcionada pela visita e pela festa.

Disse que as mulheres são as principais responsáveis pela felicidade conjugal num relacionamento. Portanto, devem agir com sabedoria, não bater boca com o marido, ser obediente a ele, cuidar das coisas de casa e da alimentação e dar lhe muito carinho. Trem que gosta de carinho é homem. Por isso, quando sentir que algo está em desconforto, reze, se arrume e evite discussões. Homem não gosta de ficar em casa quando a mulher fica cobrando e criticando seus atos. Assim, ele vai se afastar dela. Afirmou categoricamente que a mulher que puser em prática o que ela falou, terá marido para toda vida. Segundo ela, sua mãe lhe disse que a boa filha será boa esposa, e o bom filho será bom marido. Os pais de hoje que xingam os filhos não irão colher boa coisa, quando amaldiçoam a própria criação.

Enquanto morou no Fundão, a família trabalhava sempre unida. Todos os filhos foram criados aprendendo a trabalhar, dar valor ao trabalho, à vida e a respeitar os outros. Lá no Fundão plantavam mandioca, cana e tinham roça de arroz, feijão e milho. Tinha engenho, onde se moía a cana, fazia garapa , melado e rapadura. Também tinha a oficina de farinha. O arroz era socado no pilão à mão, depois passou a ser socado no monjolo. O trabalho era coletivo, todos da família ajudavam nos serviços de casa, da roça e na lida com os animais. Da terra se retirava o sustento da família

No ano de 1968 a família mudou se para Jarudore, a fim de que os filhos pudessem dar continuidade aos estudos. Todavia, não desfizeram da propriedade, dali se retirava o sustento da família.Em 1975 , mudaram para Poxoréu, foram morar na Vila Santa Terezinha, perto das irmãs Isolina, Adilina e Anita. Da união de Letícia com Artur, nasceram dez filhos, todos de parto normal. Todavia, só foi possível criar cinco: Lourival, Francisco, Valdete, Ana e

Maria.Esses filhos lhes deram lindos e maravilhosos netos e bisnetos. Louvival e Marcelina , pais de Lindinalva, Reinaldo,Edvaldo e Edvan; que lhes deram os bisnetos: Reinan, Ana Beatriz,Ryan Eduardo.Francisco e Maria José, tiveram os filhos: Patrícia, Alisson e Francielly, que lhes deu o bisneto: Erick Matheus. Valde e Adalto teve a filha Ziziane Suhelen que lhes deu os bisnetos: Geovana e Davi.

Letícia mora na rua Maceió, Jardim Poxoréu, em frente à casa da filha Valdete , ao lado de Valdete fica a casa do filho Francisco e na mesma rua , duas quadras antes está a casa da filha Ana, nessa mesma rua mora a neta Suellem. Letícia recebe visitas diárias dos parentes e amigos. Portanto, vive cercada de cuidados e carinhos.

Documentário sobre a vida de Francisco Dorileo

Francisco Dorileo, nascido em 02\04\1929, na cidade de Cuiabá-Mt, filho de Raul Graciliano Dorileo e da Sra. Nilce Pina Dorileo.

Recebeu o apelido de “Chico Mamãe”, pelo motivo de gostar de fazer brincadeiras com as pessoas, brincadeiras estas que se estendia por piadas, e quando o ofendido se manifestava para bater-lhe, este corria para a sua mãe para lhe acudir,

Até os seus 16 anos de idade morou em Cuiabá, estudou na Escola Técnica Federal de Mato Grosso, no tempo do coronel Ataíde até a quinta série do ensino fundamental.

Com os 16 anos concluídos, veio para o Município de Poxoréu-MT, morar com a tia Alaide no centro da cidade,pois como já havia aprendido em Cuiabá a arte de alfaiate,passou a trabalhar nesta função, montando alfaiataria com confecções de ternos, com boa clientela masculina.

Na Escola Coronel Júlio Muller, deu continuidade ao seu ensino fundamental, após conclui-lo, se matriculou na Escola Padre Cesar Albisetti, onde concluiu seu Ensino Médio.

Aos 22 anos de idade se casa com Nilza Gomes,neste elance matrimonial tem três filhos:Raul residente em Poxoréu, Tânia Maria residente em Cuiabá, e Silvia Nilce também residente em Cuiabá-MT. Convivendo com a esposa por um período de cinco anos e depois se separou.

Escrito por Nelice Antunes Ferraz (Historiadora)

Leia o artigo na íntegra abaixo:

 

Documentário sobre Francisco Dorileo