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Floriza Rocha Figueiredo

Floriza Rocha Figueiredo

Filha de Francisco José dos Anjos e Sigismunda Maria da Rocha, nasceu em 21 de maio de 1935, Piatâ;Bahia.Tendo por avós paternos:Alfredo José dos Santos e Maria da Rocha, avós maternos: José Tomás da Rocha e Catulina Maria da Rocha.Floriza tem por irmãos:Joana Maria, Nelson,Maria( in memorian),Raulino( in memorian), Eloisio José( in memorian), Álvaro ( in memorian),José( Dezinho in memorian).Ainda tem os irmãos Edinólia e Edinaldo, filhos do segundo casamento de seu pai com Dona Edna.

Floriza veio para Mato Grosso no ano de 1942.Primeiro veio o avô materno , sr. José Tomás da Rocha, conhecido como Badu. Quando avô Badu veio, com ele veio Tia Rosa e o neto mais velho, Raulino, irmão de Floriza, o menino tinha um ano de idade e faleceu durante a viagem. Tempos depois, Badu vendo que a região de Poxoréu em Mato Grosso tinha boas terras e água com fartura, resolveu voltar na Bahia para pegar os familiares, uma vez que por lá a seca estava castigando o povo e todos os seres que dela dependessem.

Junto com a mudança dos pais dela, vieram outras famílias. Viajavam em comitiva. Por volta do mês de março prepararam a viagem, foram vários dias em que a mãe de Floriza e as outras senhoras das demais famílias se dedicaram a fazer paçoca de carne seca nos pilões, rapadura e farinha., alimentos que seriam consumidos durante a viagem.

No dia marcado,em março de 1942 as famílias de Chico Solteiro,Dona Dezinha,o esposo e o filho …( mulher que estava grávida e faleceu poucos dias depois que chegou da viagem , Ernesto, Antônio do Alfredo e Francisco do Alfredo, levantaram bem cedinho e puseram as tralhas e crianças nos animais, saíram com escuro em rumo ao desconhecido, em busca de dias melhores para criar os filhos e sobrevirem. A viagem durou 06( seis ) meses, até chegarem em Guiratinga -MT.

No lombo dos animais as crianças vinham dentro de caixotes colocados sobre as cangalhas: Floriza, Joana e Nelson, Eloísio, Álvaro e José nasceram em Mato Groso. A mudança vinha distribuída em uma tropa de dez animais para cada família, isto é, partiram da Bahia 40(quarenta ) animais trazendo as pessoas e os pertences das quatro famílias.Marcelino era o capataz que conduzia os animais, visto ser ele homem experiente, corajoso e conhecedor do caminho que ligava a Bahia a Mato Grosso. O capataz seguia viagem a pé conduzindo a tropa e definindo os locais de parada para descanso, alimentação e pouso. Pois, tudo tinha que considerar as condições dos animais, das pessoas e a segurança do ambiente em que iriam pernoitar. Disse que naquela época ocorriam assalto e perseguições a alguns tropeiros.

Durante o dia viajavam e paravam apenas para se alimentarem, beber água , fazer algumas necessidades e ajeitar as cargas. Á noite paravam para dormir em redes que armavam no mato e montavam cozinha na estrada para preparar as refeições. Durante as paradas, às vezes caçavam e pescavam, dependia da região em que iam fazer a refeição.As mulheres sentavam de sião, isto é ,não sentavam escanchadas no arreio.Os baianos que vieram com a família de Floriza foram para Guiratinga – MT, e de lá foram levados para a região da Serra das Araras, próximo à grande fazenda do Sr. Alcebíades Figueiredo , o Bia.)

Vieram da Bahia os tios paternos de Floriza, isto é, filhos do sr. Alfredo José dos Santos:Alvina, Maria( mãe de Dinolva , Badega, Orlando, Esterlina,,), Antônio( pai de Nê e de Lídio), Agripino e Raimundo( de tia Didi).Vieram também os tios maternos de Floriza: Sizaltina, Aurelina, Alvina, Fabrício Rocha, e Otaviano Rocha, que foram morar na região da Água Bonita, perto da Serra das Araras, município de Poxoréu-MT.Os tios Neco, José Rocha e Agenorzão foram morar no Tombador. Quando chegaram da Bahia a família de Floriza foi morar numa terra que ficava aos fundos da casa do Sr. Bia.

Floriza se recorda que quando viajaram para Mato Grosso a mãe, Dona Sigismunda estava grávida e pouco tempo depois que chegaram da viagem a mãe dela deu à luz a um bebê, o irmão José ( Dezinho) e quando foram morar na Serra das Araras, não tinham sequer uma vaca para tirar o leite para o memino beber. Então, Sr. Bia deu uma vaca leiteira para os pais dela.

O pai de Floriza, o Senhor Chico do Alfredo, como era conhecido, era tropeiro. Tinha uma tropa de 12(doze) bosn animais. Viajava muito, transportando cargas de um lugar para outro. Transportava: arroz, feijão, açúcar, sal, milho e outros produtos que buscava na região de Goiás.

Os avós de Floriza( Badu e Alfredo) plantavam roça , da qual tiravam o sustento para a família e para os netos.Até hoje Floriza tem lembranças bem nítidas dos ambientes e das coisas que aconteceram na vida dela enquanto morou na Bahia. Disse que ao fechar os olhos, ela parece estar vendo um filme de como era o lugar, as pessoas e as coisas na Bahia.

Moravam numa casa boa de material, uma casa grande, com calçadas ao redor, um quintal enorme, com o solo branquinho, terreno misto, de barro branco e areia bem fininha. Chão firme e branquinho, no fundo da casa passava um córrego e tinha uma pinguela que possibilitava ir até à casa de Anália do Senhor Fecundes. À frente havia a casa dos pais de Candinho, o Senhor Ervílio( ou coisa assim). A casa de Candinho era boa, grande e havia uma cerca de quiabento, planta das folhas gossas, carnudas com grandes espinhos e flores bem vermelhas.Lindas flores.

O avô materno, sr.José Tomás da Rocha, trouxe a família para Mato Grosso, mais especificamente para Poxoréu, em busca de uma vida melhor, uma vez que lá na Bahia a seca estava castigando. O povo estava enfrentando muitas dificuldades para sobreviver diante da seca. Senhor José Tomás veio na frente e analisou a região, visitou alguns lugares , depois voltou na Bahia para buscar a família.Chegando lá disse ter encontrado o lugar ideal, Poxoréu; lugar de terra boa e água em abundância o ano todo, destacando que Mato grosso nunca tinha passado por situação de seca.

Floriza se recorda de vários lugares da Bahia, onde ela já havia ido ou que os pais costumavam ir, como: Feira de Santana, Lavras, Barreiras,Boninal, Palmeirinha,Cutia e Lençóis.Disse também que a tia Alvina era benzedeira de mão cheia. Muita gente procurava por ela para se benz.Tia Alvina fazia várias orações. Entretanto a que mais encantava a menina Floriza era a que a tia fazia para se esconder de alguém. Disse que a tia rezava e virava mato, ou que as pessoas não a viam, enxergavam só os matos do lugar , mas não enxergavam Dona Alvina.

Enquanto morava na Bahia, a casa de Floriza era farta, o paiol estava sempre cheio, que eles criavam cabrito, galinha , porcos e plantavam roça e tinham um quintal bem planatado, com batata, banana, mamão, mandioca, abóbora, quiabo, maxixe e outras plantas.

Outra pessoa que ficou guardada na memória da pequena Floriza foi um velho da região da Cutia que as crianças chamavam de Tio Roque.Um senhor idosos que sempre saudava Floriza dizendo lhe:_ A bênção de Deus Sinhá!

Floriza disse que saíram da Bahia no mês de março ( era época do verão),não era período de chuvas. Saíram bem cedo , com o escuro.Se lembra que durante a viagem passaram por fazendas muito bonitas, com imponentes casarões. E numa dessas fazendas Marcelino, o capataz que conduzia a tropa pediu autorização ao proprietário para que eles pudessem passar a noite lá. Autorizado o pernoite, a comitiva armou as barracas, isto é estenderam o tecido grosso que traziam , fincaram as estacas para prendê-lo e ali acamparam para descansar e dormir.

Floriza disse que eles não frequentaram escola na Bahia e nem aqui em Mato Grosso, porque a escola era distante e a região era de muita mata, havendo muita cobra e onça na região.A escola ficava na Fazenda do Sr. Bia, acima da casa,, do lado direito e teve como professores :Diocleciano Jeferson e Valdemar Britis( ou Brito) de Oliveira.

Floriza se recorda das histórias que ouvia o pai e outros familiares dizerem dos perigos que os baianos corriam nas viagens de volta à Bahia. Muitos baianos saiam da Bahia e deixavam a família. Iam trabalhar em outros estados e depois que conseguiam certa quantia em dinheiro, voltavam para casa, iam socorrer a família em suas necessidades( alimentos, roupas, remédios , etc) Outras vezes iam buscar a família para residir no novo lugar onde a vida era mais confortável. Assim sendo, quase sempre os baianos em seu retorno à Bahia iam com dinheiro. Vinham sem nada e voltavam endinheirados. Por esse motivo os ataque de assaltos e assassinatos eram frequentes no retorno . E por isso, a menina Floriza ouviu o avô Badu e outros membros da família contarem a história do Zequinha da Pinduca, que diziam assim:Os baianos deixavam a família na Bahia e vinham trabalhar. Aqui ficavam por um certo tempo, depois voltavam para levar dinheiro para a família, Quando voltavam paravam no Zequinha da Pinduca para pousar. Vários baianos morreram por lá.Pois antes de saírem para dar continuidade à viagem, Zequinha matava os baianos e tomava-lhes o dinheiro.Na vinda da Bahia para cá os baianos paravam no Zequinha e eram muito bem acolhidos. Pois, estavam sem dinheiro, mas na volta eles com dinheiro eram atacados pelo Zequinha.Com o tempo os baianos foram desconfiando que Zequinha era o responsável pela morte dos baianos. Então certo dia um baino juntamente com outro se preparavam para dar o troco em Zequinha. Quando chegaram na casa, foram cumprimentando.Boa tarde meu padim!Boa tarde baiano.

O Sinhô pode dar um pouso para nóis?. Posso respondeu Zequinha. Antes os baianos viram muitas linguiças penduradas e uma enorme chibata. Se fizeram de besta e perguntaram:que é isso( mostrando para as linguiças)?

Zequinhq respondeu que eram almas benditas, e quando perguntaram o que era o outro objeto( a chibata), Zequinha disse que era Santo Antônio. Os baianos armaram as redes fora da casa e foram dormir. Mas não se deitaram nas redes. Dentro delas colocou os arreios e outars coisas.Logo bem cedo antes do horário previsto se despediram do senhor Zequinha dizendo.Adeus meu padim . Nóis já vamos almas benditas vai com a gente e Santo Antônio fica com o sinhô. Zequinha se despediu e foi cercar os baianos mais adiante para roubar-lhes. Mas para a surpresa dele os baianos mais que depressa atiraram nele e mataram. Com isso acabou a história dos assassinatos dos baianos no retorno à Bahia.

Quando jovem, antes de casar, Floriza cuidava dos irmãos e disse que levantava bem cedo para ferver o leite , coar o café e preparar o lanche para os irmãos. Era ela quem lavava roupa, vasilhas e cozinhava. A irmã Joana varria a casa e cuidava das crianças.Com a ajuda dos avós,criavam porcos, galinhas, plantavam arroz, milho, feijão , abóbora e mandioca.Floriza e Joana arrancava as mandiocas, descascava, lavava e colocava na roda para moer , a avó cevava, colocava no bolinete, depois de moída os avós prensavam a massa para no outro dia bem cedinho o avô Alfredo torrar. As meninas Floriza , Joana e o irmão Nelson socavam arroz no pilão e também ajudavam o avô a bater o arroz na roça, em época de colheita. Nelson ia para a roça numa mula por nome Paquinha.

No dia de lavar as roupas, Joana ficava em casa com os meninos enquanto Floriza ia para o córrego coma avó Catula. Se recorda que na beira do córrego havia lindas flores de cambará, flores bem roxas.

Floriza aprendeu a ler depois de casada, quando já havia tido todos os filhos , por volta de 1973, quando chegou na região de Jarudore o Projeto MOBRAL e lá se constituiu uma turma de alfabetização para adultos, com o professor Wilmar.

Na casa de Floriza havia um rádio que era ouvido à noite, quando o pai estava em casa. Muitas vezes dormiam sozinhos, isto é , Floriza a mais velha cuidava dos irmão mais novos enquanto dormiam, e vencida pelo cançaso e pelo medo também adormecia. Quando comentei que ela então deveria fechar muito bem a porta da casa, uma vez que tinha medo de onça e outras coisa que pudessem ataca-los a noite, ela riu e disse que não havia como fechar bem a porta. Pois, a casa não tinha portas, era fechada com varas.

Dona Sigismunda, mãe de Floriza deu à luz à uma menina à noite e pela manhã, não resistiu as complicações do parto, morreu com uma forte hemorragia. A menina nasceu viva. Porém, faleceu com três meses de idade.

Floriza disse que a casa dela era próxima a casa da avó materna, Dona Catula, após a morte da mãe, a avó foi uma figura muito importante na vida dela e dos irmãos. Pois, o pai além de viajar muito em decorrência do trabalho de tropeiro, com a morte da mãe ele não demorou e viajou para a Bahia em busca de nova esposa. E por lá ficou uns dois anos.

A avó Catula era a pessoa que ajudava Floriza a cuidar da casa e dos irmãos mais novos, visto que Floriza é a filha mais velha, coube a ela as responsabilidades de mãe , após a morte de Dona Sigismunda.O pai de Floriza casou se com Edna Souza dos Anjos, irmã de Perolina e de Ilda.Ilda era madrinha de Nelson. Portanto, cunhada e comadre de Chico.Ilda era esposa de José Drege e Perolina se casou e foi morar em Brasília.

Na região que Floriza morava, tinha muita festa. Com certa frequência aconteciam mutirões, treições, casamentos e batizados,o que terminava com animado baile( o famoso forró).Nessas ocasiões a população se reunia, os moradores na maioria das vezes eram quase sempre parentes, compadres e outros.O pai de Floriza não ia nas festas. Porém, as filhas Joana e Floriza sempre participavam das festas, porque iam em companhia do tio Tonho( Antônio), irmão do Senhor Chico Alfredo.Se recorda que o pai comprava as roupas e os calçados em Guiratinga. Quando comprava tecido, era tia Maria e a avó Catula quem costurava para os meninos, as roupas de Joana e de Floriza quem costurava era Avilina, irmã do Samuel ( cunhada de Dona Lili).

Os familiares que ficaram na Bahia enviavam cartas para aqueles que tinham se mudado para Mato Grosso. As correspondências ( cartas) do povo da Bahia, chegava em Guiratinga e as pessoas da família de Floriza de vez em quando ia lá para pegá-las. Chegando em casa Chico Alfredo ia atrás dos tios de Floriza ( Agripino e Raimundo) para lerem e responderem as cartas recebidas.Com uma certa frequência vinham cartas para avô Badu e para o pai de Floriza.

A madrinha de Nelson era Ilda , irmã de Dona Dina.Senhor Chico, pai de Floriza, foi para a Bahia à procura de uma mulher para se casar. Lá chegando, ele encontrou Dina,( Edna) a irmã de sua comadre Ilda. Começaram a namorar e logo se casaram. Após o casamento ele ainda ficou morando na Bahia por uns 6(seis) meses depois veio para Mato Grosso. Quando chegou aqui, Floriza já havia se casado com João Sinval. Visto que quando ele foi, os jovens já estavam namorando e quando resolveram se casar, João Sinval enviou uma carta para senhor Chico, pedindo autorização para se casar com Floriza. Senhor Chico não consentiu o casamento. Porém, o tio de Floriza, Sr. Antônio, concordou com o casamento e tomou as providências, fazendo todo o enxoval e comprou também o tecido para o vestido da noiva, calçado . Enfim, cuidou de tudo para realizar o casamento da sobrinha com o jovem João Sinval. Depois de alguns namoros passageiros, num baile de mutirão, Floriza começou a namorar com João Sinval, com quem se casou em 29 de março de 1952( 29/3/1952,certidão de casamento registrada no cartório de Toriparu, no Areia; região do atual município de Vale Rico, cujos arquivos foram transferidos para Guiratinga, e lá está registrado sob a matrícula nº:06394102551952200001012000000937, fone(66)3431-1458, e mail(as.sobrinho@hotmail.com).

O casamento de Floriza e João Sinval aconteceu à tarde, no mesmo dia se casaram Maria Silveira Figueiredo( Maró) irmã de João Sinval, como jovem Valdivino, filho de sr> Anastácio( pai de Baio).. Após o casamento houve um jantar e depois o baile. Macario era o juiz de paz do Vale Rico, ele era parente de Floriza e foi lá fazer o o casamento Macário era casado com Florinda,irmã de Patrício, de Lídio., filhos de José de Deus.Após o casamento, Floriza foi morar na terra do pai dela , Sr. Chico, perto da casa de Joana e depois ela e Maró foram morar na casa de Seu Bia., onde morou por uns dois anos.A casa era bem grande. Lá moravam: Sr. Bia, Dona Neguita, Edite, Noêmia, Miriam, Isolina e anésia. Além de Floriza , João Sinval , Maró e Valdivino. Ainda tinha um barracão onde dormiam:Herculano, Levi, Nilson e José Cruz. Herculano era um rapaz forte e trabalhador, filho de Zé Cruz. Floriza se recorda que certo dia chegou por lá um aviador por nome Sinobilino que pediu a Zé Cruz para levar Herculano para trabalhar com ele. Daquele dia em diante nem a família de Seu Bia nem Zé Cruz souberam mais notícias de Herculano.Herculano, era filho de José Cruz e dona Ilda e sua avó era dona Teodora.

Da união de Floriza com João Sinval nasceram 14 ( catorze) filhos. Todavia, alguns nasceram fora de época e não resistiram, dois nasceram no tempo certo . Porém , morreram ainda bem criança. Assim sendo, eles criaram 09(nove) filhos: Ubiratan, Mariza,Ronan, Marilda Màrcia, Marlene, Leda, Lecy e Anésia.

Floriza disse ter trabalhado bastante quando solteira e também depois de casada. Porém, não se arrependeu de se casar com João Sinval. Encontrou nele um marido atencioso, responsável que deu a ela segurança e conforto. Coisa que ela não tinha , principalmente depois da morte da mãe. Ela disse que tinha muito medo e tudo era ela quem tinha que agir. Com o casamento com Sinval, ele passou a decidir tudo na vida dela.Ele também não deixava faltar nada em casa, havia sempre muita fartura. Isso para ela foi uma tranquilidade.que a criação dos filhos não deu trabalho. Os filhos eram todos muito obedientes, graças a Deus , nunca se envolveram com coisas erradas e nem lhe faltaram com o respeito.

Apesar do casamento com João Sinval ter mudado sua vida de moça festeira, ele disse se sentir feliz com a companhia do esposo, que ele não gostava de festas,ia apenas na igreja no sr. Abiné e na igreja de Jarudore. As únicas festas que foi depois de casada foi nos casamentos de tia Maria, Tio Raimundinho,, de Alvinona, de Dezinho( José irmão de Floriza ) e de Eloísio, também seu irmão.

Porém, disse que não se revoltava por isso. Pelo contrário , se sentia orgulhosa do marido, por ele ser um homem respeitado e admirado pelas pessoas, um político influente , de poder, um líder na região de Jarudore, principalmente para os parentes dela. Disse que todos os seus parentes admiravam seu esposo e seguiam as opiniões e orientações dele quando iam votar ou resolver algum problema.Disse que gostava muito de acompanhar o marido nos comícios, que ele não ia em festas , mas que durante as campanhas eleitorais ele a levava em todos os lugares que ia.Chega a sentir saudade daquele tempo, da casa cheia de gente, dos comícios,do povo a procura de Sinval. Ela disse que o povo venerava seu esposo, quem falasse mal de Sinval era logo advertido, corrigido, os amigos, compadres e familiares de Floriza chamavam a atenção, não permitia de forma alguma um comportamento de desrespeito a ele.

Disse que apesar do assédio das pessoas a seu marido que além de líder sempre foi bonito, ele nunca lhe deu motivos para desconfiar dele, o esposo sempre a respeitou. Se recorda apenas de uma pessoa que despertou-lhe ciúmes, não que ele tivesse se envolvido, mas a mulher que ficava dando em cima de seu esposo.

Disse ela, certa vez,Patrício comprou a fazenda do sr. Braulino. Porém, esse antes ofereceu a fazenda para João Sinval , que por falta de dinheiro não comprou. Braulino ainda disse que com pouco tempo de serviço João Sinval pegaria diamantes suficiente para pagar. Mas ele não quis, ficou com receio de não ter como pagar. Então, Patrício, comprou e pouco depois pegou tanto diamante , que pagou a terra e sobrou dinheiro para comprar gado.

Sobre a vida política disse que na época o sogro Alcebíades tinha o comando dos votos de toda a região da Serra das Araras e vizinhança, isto é, onde ele votasse todos seguiam. Entretanto, depois que ela se casou com João Sinval, os eleitores se dividiram. Uns seguiam Seu Bia e outros seguiam João Sinval, já que eles passaram a ser adversários políticos. João Sinval era seguidor da UDN , dos Rochas e Bia era do PSD.

Disse que muitas vezes recebeu em sua casa visita de políticos como:Nego varanda, Sr. Joaquim Nunes Rocha, Moreno,João Vilela, Zezé e Manoel Coutinho,. Disse ela, que o povo do Tombador era apaixonado pelo Rochinha. Tanto , que sempre que vinham à cidade levam notícia da visita que tinham feito a Rochinha e das informações que ele havia passado.

Relatou ainda que o povo do Chicô lá do Paraíso do Leste gostava muito de visita-los no Tombador. Os candidatos de Guiratinga sempre iam lá na época da campanha política: Eduino Orione e Luís Orione .Os visitantes iam lá de caminhão, de Jippe e até a cavalo. Pois, as estradas eram muito ruins.Outros iam de avião que pousava no campo do Abiner ou do Seu Bia.

O Hospital santa Maria Bertila e as Farmácias de Dr. Giovany, de Salomé e de Adalberto,eram referências em Guiratinga, quando se falava de problemas com a saúde.

Os primeiros anos escolares dos filhos mais velhos : Ubiratan, Mariza e Ronan, se deu no grupo que ficava na fazenda do avô Bia, lá na Serra das Araras, onde tiveram como professores: Domingas, Nega do Tonico e Luzia; esposa de Messias , atualmente empresário em Rondonópolis-MT.Em 1965, a família mudou se para Jarudore, para que os filhos pudessem continuar os estudos e no ano de 1977 o casal se mudou para a cidade de Poxoréu, visto que os filhos mais velhos já estavam morando na cidade para continuarem os estudos, uma vez que em Jarudore só havia até o primário.

Os primeiros anos em Poxoréu, foram difíceis ,para a família que não tinha casa própria, morava de aluguel e com uma família numerosa a despesa era grande. Todavia, João Sinval não se desanimou, procurou o sr. Tonico Ribeiro e arrendou a terra dele lá na Água Limpa, onde foi plantar roça e os filhos também se uniram e cada um foi trabalhar como pode para ajudar nas despesas de casa.Ronan foi trabalhar no Colégio das Freiras: Escola Poxoréu,Marilda foi trabalhar na E.E.Cel. Júlio Müller, Márcia começou a lecionar na Pré Escola no Centro Juvenil, Leda e Marlene passaram a trabalhar de babá, de doméstica. Em Cuiabá, Mariza foi trabalhar com o Deputado Eduíno Orione, que era conhecido e amigo da família, desde que moravam na Serra das Araras. Ubiratan trabalhou na Prefeitura de Poxoréu, no setor de alistamento militar, depois também foi para Cuiabá, morou na República de jovens estudantes de Poxoréu e ingressou na UFMT, onde cursou Agronomia.

A esposa Floriza estava sempre ao lado do marido todas as vezes que el encarava um novo desafio. A exemplo da Lavoura da Água Limpa, distante 55Km da cidade, estradas quase intransitáveis, região de matas densas e muitos peões perigosos , lá foi ela morar com o marido em um barracão de palha, vinham à cidade a cada quinzena para ver os filhos e fazer compras.

Floriza mais uma vez viu o esposo numa situação difícil,apesar de terem plantado uma vasta lavoura, tiveram um enorme prejuízo , perderam parte da produção que não foi possível escoar devido as más condições da estrada, outra parte perdeu na roça , por conta de trabalhadores que abandonaram o serviço e foram embora, deixando para trás a divída das despesas e a produção no meio do mato.João Sinval assumiu os prejuízos, foi pagando aos poucos e graças a Deus contou com o apoio de um grande amigo, sr Eli Vieira Célio que estendeu-lhe as mãos e sabendo da coragem de João Sinval para trabalhar e da existência de bons garimpos em Poxoréu, comprou um carro zero , um JIPP , uma draga e fez toda a despesa necessária para ele recomeçar a vida e poder cumprir com os compromissos assumidos perante o Banco do Brasil, visto que a roça era financiada e também manter sua família. Floriza nessa época passou a morar na cidade. Porém, com frequência acompanhava o esposo, indo com ele para o garimpo. Às vezes estava fazendo o almoço, o esposo ia para o garimpo, ela desligava o fogão e deixava a chave na vizinha com o recado que havia ido para o garimpo. Sempre teve o prazer de acompanhar o marido nas viagens e serviço.

Desde criança João Sinval sempre teve muita sorte com o garimpo e dessa vez não foi diferente, graças a Deus pegou muito diamante. pagou as dívidas,comprou uma propriedade na região do Pacu, comprou carro e construiu uma grande casa na Rua São Paulo, tirando a família do aluguel.

Em 1997, Floriza mudou com o esposo para o Pacu,município de PlanaltoDa Serra e lá moraram até o ano de 2014, quando retornaram para Poxoréu. Visto que Floriza começou a apresentar problemas de saúde, João Sinval, pela idade já avançada e depois do acidente que sofreu na lida com o gado, começaram a ter dificuldade para ficarem só em local tão distante dos filhos e do conforto, situação que se agravou após a morte da filha Marilda, em dezembro de 2013, Floriza queria ficar mais próxima dos filhos e netos, passou a se sentir muito só. Principalmente à tarde, quando o esposo se deitava para dar um cochilo, ela ficava embaixo das mangueiras a chorar. Os filhos então, se reuniram e decidiram que eles deveriam mudar para a cidade, João Sinval não aceitou. Ela porem, decidiu que viria e em agosto de 2014 veio com a mudança , deixando o marido para trás, isso por insistência dos filhos que disse a ela que não se importasse, que ele depois viria, com certeza não aguentaria ficar sozinho na fazenda. Não deu outra, mesmo contrariado e triste , no mês seguinte, em setembro João Sinval pediu para irem busca-lo. Hoje o casal reside em Poxoréu_MT, na rua Salvador nº 37, onde moram em companhia do neto mais velho, Robson Luís Sol. A grande preocupação era a fazenda, como ia ficar. Ubiratan, o filho mais velho, resolveu arrendar a terra e cria gado, como uma forma de ajudar os pais e preservar a terra, de modo que quando sentem saudade, vão lá e ficam uns dias.Todavia, o casal já compreendeu que realmente não teriam condições de continuarem morando por lá, apesar de gostar muito do pacu e dos amigos que por fizeram, a idade vem comprometendo as condições físicas e a saúde, o que provoca certa insegurança no deslocamento de um lugar para o outro e na realização de certos serviços, levando os a concluir a necessidade de estarem amis pertos dos filhos, netos e bisnetos, bem como, de viverem em local de maior conforto, perto de médicos e do comércio.

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