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Pontos de Encontros

Pontos de Encontros

Ponto de Encontros

Gaudêncio Amorim

Fazia tempo que não nos encontrávamos, a não ser, vez ou outra, acidentalmente, por imposição das circunstâncias. E com que alegria nos revíamos, nos falávamos e nos detíamos nas recordações de outrora como se nada mais houvesse de importante senão lembrar daqueles tempos.

A ocasião não era festiva e, notadamente, das piores para um reencontro, mas apesar das circunstâncias, era como se a tragédia inesperada nos tivesse possibilitado nos revermos e a redesenhar nosso passado na mais empolgante e deleitável amizade d´outrora, fato que em tanto tempo de desencontros não nos fora possível, embalde o mínimo instante de nossas presenças, para quem tanto tempo convivera em laços tão estreitos.

Surpreendentemente, a freqüência daqueles encontros não aconteceu num barzinho, numa festa ou numa visita domiciliar de intensa duração, mesmo de períodos intermitentes de rara longevidade, como se supunha, normalmente acontecer.  Isso era intrigante e, no mínimo estranho para quem tanto se dizia “se considerar” como jóias raras e pérola inegociáveis da teia social.

O fenômeno poderia ser visto de forma natural, se considerar nossa célere vida sob a égide das recorrentes concorrências diárias e da competitividade social para otimizar nossas melhores estatísticas sem nos darmos conta do verdadeiro propósito de nossa existência, afinal, se desnaturalizarmos o que nos parece tão natural e trivial, é provável que nos daremos conta da essência diante da estéril e insustentável aparência que parece cegar os homens diante do mais significativo aspecto humano: o humano. Mais inusitado ainda é que a freqüência de tais encontros tenha acontecido em velórios; que aqueles momentos tão cheios de vida tenha se materializado pela morte de alguém, cuja vítima, familiares e amigos lhe tenha tanto feito viver intensamente outrora.

Desconstruir o fenômeno e desnaturalizar sua aparência significa nos redescobrirmos diante do imbróglio que tem sido nossas essências e de quais valores temos nos apossados em detrimento das crenças do passado renascidas naqueles reencontros circunstanciais que, de estéreis, tem apenas sua duração, mas de significado, uma vida passada em segundo.

Cabe indagar: se aqueles segundos daqueles encontros foram tão significativos, por que temos que esperar a morte de pessoas especiais para reencontrarmos amigos verdadeiros? Por que esperar alguém morrer, mesmo sabido do seu estado moribundo, sem que estejamos mais próximos antes da partida? Por que encontrar estas pessoas pelos caminhos naturais e espontâneos tem sido tão difícil? E, por que, quando elas morrem, temos encontrado, na dificuldade, um caminho para reencontrá-las, mesmo na hora mais inoportuna para um encontro, se considerar a cena de um corpo gélido, um rosto em retrato, a boca muda e os olhos cerrados?. Talvez não haja paradoxo mais paradoxal.

A reflexão posta não requer respostas adormecidas, mas um despertar de atitudes mais vívidas sem o costumeiro cenário de desculpas, geralmente acostadas na falta de tempo, no trabalho, na família e nos aspectos econômicos, como vilões dos desencontros. Inobstante as realidades desculpáveis, também merece destaque nossa monotonia, nosso comodismo e o egoísmo que nos prende a nós mesmos e que só são despertados na surpresa ou na iminência da morte, exatamente para reencontrar a vida num cenário de morte e, na morte de alguém a quem nos dedicávamos tanta vida.

Quem mais vamos esperar morrer para reviver nossas vidas na presença de reencontros inesperados, sem que oportunizemos a nós mesmos o mesmo encontro na presença da vida? Ou será que temos que esperar o próximo velório?

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