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Geraldo Paulino de Alencar: um vereador comprometido com as causas sociais

Geraldo Paulino de Alencar: um vereador comprometido com as causas sociais

GERALDO PAULINO DE ALENCAR: Um vereador comprometido com as causa sociais

*Prof. Gaudêncio Amorim

Quando escrevi “Linhas Históricas de Poxoréu…” (2001) cometi o equívoco de não ter mencionado um vereador, no rol dos vereadores eleitos, com a maioria dos votos pelo distrito de Paraíso do Leste, conforme pode observar sua ausência na página 143: GERALDO PAULINO DE ALENCAR. Evidente que não por intenção, mas por desinformação da pesquisa que, à época não foi possível resgatar os registros de sua Vereança no mencionado distrito. Confesso que aquela omissão deixou-me bastante inquieto, porque ela não se mantinha fiel a história e porque não havia registrado a atuação de um personagem importante à galeria dos varões ilustres de Poxoréu e, igualmente para os cearenses que ocuparam a região na década de 40. Como um abnegado, debrucei-me à busca.

Com o apoio dos irmãos Antônio de Souza ( O Toinho) e João de Souza, saímos de Cuiabá, na manhã do dia 09/10/2010, do bairro do Leblon, cortando toda Avenida Dante de Oliveira (Antiga Av. dos Trabalhadores), o CPA-3 e o bairro “Dr.  Fábio” para, em estrada de chão, percorrer quase 20 Km até a Chácara de Iracema Paulino de Alencar (Filha de Geraldo Paulino) às margens do Rio Coxipó do Ouro, próximo à ponte de ferro, para corrigir o equivoco e manter viva a sua memória na publicação que, ora faço, com a mesma disposição de outrora.

GERALDO PAULINO DE ALENCAR nasceu no dia 10 de agosto de 1935 em Araripe, Estado do Ceará tendo como genitores o Sr. João Paulino Sobrinho  e Dona Joana Barros de Alencar, ambos nascido no sertão de Araripe.

Como toda criança cearense da época acostumou a labuta penosa que a realidade nordestina lhe impôs e, exatamente em função dela, aprendeu “extrair leite de pedras” para sobreviver usando a imensa criatividade e os valores mais fundamentais típicos das boas normas sociais.

Geraldo Paulino, seguindo a onda do povoamento da região Centro Oeste, como a maioria dos demais cearenses que habitaram Paraíso do Leste na década de 40, veio para Mato Grosso em 1942 trazido por Argemiro Rodrigues Pimentel (mais tarde, Prefeito de Dom Aquino e Vereador por dois mandatos em Poxoréu) e foi morar na Colônia de São Lourenço, do outro lado do mutum, em terras que, mais tarde seriam reivindicadas pelo Cel Luizinho (1° Prefeito de Poxoréu)

Das 22 famílias que deixavam Araripe, Geraldo Paulino se lembra bem do Sr. José Calisto de Alencar; Francisca Verônica, Luis Alves de Moura; Pedro Gerônimo de Alencar; Pedro Alves de Moura; Joaquim Cassiano; José Olimpio, Sebastião Gerônimo de Alencar e o Sr. Florêncio.

Geraldo Paulino deixou o Ceará quando tinha apenas o07 anos numa viagem engenhosa, cujo traçado na época, desafiaria a cartografia para recompor as andanças até chegar ao Vale do São Lourenço.  O grupo de retirantes que somava quase 80 pessoas deixou Araripe num pau-de-arara em direção à Petrolina-PE, de onde continuou a viagem por água através do “Velho Chico” no Vapor Eng°. Afro por longas 12 horas até Pirapora-MG e de lá seguindo de trem de ferro, antiga “Maria Fumaça” até São Paulo, capital, onde marcou parada no movimento Migratório do Brasil, uma espécie de orientação dos nordestinos, com preponderância para a ocupação do interior do Brasil. De lá, ainda de Trem, o grupo tomou a direção de Alfredo Castilho – SP, na divisa de MS, próximo a Três Lagoas, onde permaneceu por seis meses antes de chegar a Porto Esperança – MS, próximo a Corumbá. Já estavam em Mato Grosso, porém, dali seguiriam viagem numa Lancha pelo Rio Paraguai, depois pelo Rio Cuiabá até se desembarcarem em Santo Antônio do Leverger-MT, a uns 30 KM do centro histórico de Cuiabá, para onde as 22 famílias seguiram numa jardineira e, em poucos dias, acomodarem-se em caminhões da CER – Companhia de Estradas e Rodagens em direção ao São Lourenço.

A CER era uma companhia que na época construía a estrada que ligava Cuiabá ao Estado de Goiás, passando exatamente por Paraíso do Leste e Lageado. Porém, o grupo ainda não chegou a Paraíso do Leste. Ficou no Vale do São Lourenço.

Na margem direita do Rio São Lourenço, na Colônia, permaneceu por dois anos aproximadamente, porém a família de Geraldo Paulino tomou o destino do garimpo das Pombas, onde permanece por três anos me média no local, sobrevivendo do ofício de Ferreiro, desenvolvido pelo pai e de outros parentes que se aventuram nas lides da garimpagem e algumas poucas roças de tocos, embora a natureza na região se apresentava pródiga para o cultivo grãos, bem diferente do cenário árido deixado para trás no Ceará.

Retorna a Colônia do São Lourenço, mas cedendo as implicações do Cel Luizinho que alegava posse das terras, a maioria das famílias, cruza o rio para a margem esquerda e fixam residência no Mutum (Mais tarde, município de Dom Aquino) por aproximadamente 02 anos e dali seguem para Paraíso do Leste onde chegam em Agosto de 1948, Geraldo Paulino, na época, com 13 anos e dali sairia para servir o quartel em 1955 deixando a mãe e o pai em Poxoréu.

Quando retorna do quartel aventurou – se no garimpo por seis anos e ainda volta a Paraíso do Leste, onde planta uma roça, colhe os mantimentos, porêm retorna a Poxoréu para trabalhar na Prefeitura.

No dia 06 de agosto de 1958 firmou o seu compromisso com Francisca Barbosa de Alencar, uma cearense também de Araripe, com a qual gerou os filhos: Joana Barros de Alencar Neta, em 1960; Maria de Fátima Alencar, em 1961, João Paulino de Lima Neto, em 1962; Iracema Paulino de Alencar, em 1964 e Sandra Paulino de Alencar, em 1968, aos quais, mais tarde se somaria uma filha de criação, Midevilsa Paulino de Alencar, em 1975, criada com o mesmo zelo e carinho da família.

Geraldo Paulino de Alencar, moço atencioso, comunicativo, solidário e portador de um imenso rol de amizades, logo se viu embrenhar pelos desígnios da política, ingressando na Arena para pleitear a candidatura a Vereador, elegendo-se em 1966 na eleição vencida pelo Dr. Antônio dos Santos Muniz disputada com Aristino Vilela (O major Vilela), sendo o 3° vereador mais votado numa votação que superou 290 votos, distante dos mais de 600 votos obtidos por Aquilino Souza Silva na época, a maior votação de um vereador em todos os tempos na história das eleições municipais. Durante o mandato, foi secretário da Câmara na presidência de Antônio Mandu da Silva e Jurandir da Cruz Xavier.

Para alguns analistas, a sua eleição foi uma imensa surpresa, porem esquecia-se que aquele moço, também funcionário da Exatoria, além de simpático e comunicador, não deixava ninguém triste onde quer que estivesse e, isto, despertou a confiança num eventual trabalho frente ao Legislativo municipal. Foi um vereador combativo, polêmico, com trabalho prestado, principalmente, na área da educação e saneamento básico indicando escolas e professores na região do Barreirão, Serra das Araras e instalação de torneiras na Rua Maranhão, São Paulo e no Bairro Areia, afinal, a água era trazida da “biquinha” – uma mina próxima a Usina Hidrelétrica Dr. José Fragelli em lombo de animais ou na cabeça de mulheres e crianças, em alguns dos casos, pagas por aqueles de melhor poder aquisitivo.

Geraldo Paulino destaca que entre as cenas que polemizou está a exigência da confecção de caixão de indigente ofertado no tamanho da vítima e não tamanho padrão; Brigava com o padeiro para não aumentar o pão chegando a trazer para a sessão da câmara, pães de outros municípios para serem comparados no quesito tamanho e preço; Era contra o preço da carne tabelado a revelia do açougueiro. Com essa postura combativa e de enfrentamento a exploração social, Geraldo Paulino, por um lado, caia nos braços do povo que o enxergava como um legítimo defensor das massas e das causas populares, por outro, era visto com ressalvas e temor pela classe dominante que percebia seus interesses ameaçados pelas bandeiras de lutas do vereador, de sorte que criou-se aí uma animosidade entre o parlamentar e a corrente dominante, o que termina por lhe render o afastamento da vida pública.

Deixou o exercício parlamentar, mas continuou trabalhando na Prefeitura como encarregado de Obras subordinado a Dona Levita Fioravante e Newton Pinto Lopes, pelos próximos 4 anos, ajudando na construção da Cerâmica e da Usina Hidrelétrica Dr. José Fragelli nos governos de Lindberg Ribeiro Nunes Rocha e Lucas Ribeiro Vilela.

Mudou-se para Várzea Grande em 1975 para trabalhar como chefe da Rede Física  das escolas de Mato Grosso na Secretaria de Estado de Educação, cujo ofício deixou a partir de 2000, quando aposentou-se de suas atividades, deixando sua casa no CPA para morar na chácara da filha Iracema Paulino de Alencar, onde reina a paz e a tranqüilidade, merecidas, para um homem que tanto trabalhou pela sociedade matogrossense, chefe de uma família de 06 filhos, 15 netos e 08 bisnetos.

 

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