Festividades religiosas: as mais tradicionais em Poxoréu

O Município de Poxoréu, cenário originado pelas riquezas do garimpo, possui guardado a esplendorosa, manifestação do movimento de fé que tem sido palco de tradição e religiosidade de um povo cristão. Exemplos de coragem, determinação, que leva milhares de pessoas as ruas, propagando a sua fé aos santos devotos.

Uma das maiores festas celebradas, é dedicada ao padroeiro do Município, o glorioso São João Batista, dia 24 de junho. São João Batista nasceu milagrosamente em Aim Karim, cidade de Israel que fica a 6 quilômetros do centro de Jerusalém. Seu pai era um sacerdote do templo de Jerusalém chamado Zacarias. Sua mãe foi Santa Isabel, que era prima de Maria, Mãe de Jesus. João Batista foi consagrado a Deus, desde o ventre materno. Em sua missão de adulto, ele pregou a conversão e o arrependimento dos pecados manifestos através do batismo. João batizava o povo. Daí o nome João Batista, ou seja, João, aquele que batiza.

 

Artigo de Nelice Ferraz

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Lazer nos primórdios de Poxoréu: dos bordéis ao Diamante Clube

O contentamento e as formas de diversão social foi e continua sendo um dos modus vivendi da sociedade, de uma forma geral, independente de épocas, culturas, nacionalidades, faixas etárias de vida, poder aquisitivo e etc. Em qualquer sociedade, por mais antigas que seja, os pesquisadores deixaram relatos dos seus rituais de contentamentos nas ocasiões mais oportunas. A sociedade poxoreana não ficou alheia ao este processo, por mais difícil que seja caracterizar o período pela ausência de documentos e de literaturas especificas sobre o tema.
Neste sentido, o enredo deste texto, subsistirá de um ou outro recheio bibliográfico, mas fundamentalmente dos depoimentos de fonte oral advindos de relatos dos pioneiros e de cidadãos ilustres que vivenciaram tais produções culturais. Assim sendo, é de bom alvitre caracterizar, como recorte histórico ou delimitação dos nossos registros, os primórdios compreendidos entre as primeiras povoações (1924) até a década de 50, com o advento do Diamante Clube Sociedade Recreativa.

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Criada a Casa da Memória no IHG

 

SINOPSE DA CASA DA MEMÓRIA MANOEL DE AQUINO – “PIÉ”

A ideia de organizar um museu sempre esteve presente na memória do povo de Poxoréu, principalmente das lideranças com estreita relação com a arte e a cultura, mas as dificuldades se arrastaram com o mesmo desejo de organizar.

O Instituto Histórico e Geográfico, a partir de sua criação potencializou este desejo e otimizou força entre os membros e pessoas, de dentro e fora do município, para a consecução do empreendimento.

Assim sendo, com base do art. 3º, inciso III do Estatuto social, que preconiza, entre as suas finalidades a de:

III – recolher e preservar documentos de valor histórico, especialmente os que se referem ao município de Poxoréu e a Mato Grosso”, os membros do IHG, Antônio Nival de Souza Campos, Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, Alan Pereira da Silva e João de Souza, elaboraram o projeto de criação da Casa da memória do IHG. O projeto contou a participação da Profa. Isabel Silva de Oliveira (Coord. Pedagógica da Escola Técnica Estadual) e a anuência da assembleia do IHG, que, indistintamente colaboraram de várias formas.

A Casa da memória do IHG pretende se desenvolver em 04 fases distintas, a começar pelas peças do garimpo (1ª fase), depois da imagem (2ª fase); do som (3ª fase) e, por fim, do meio rural (4ª fase), na medida em espaços e artefatos forem se organizando para o fim da exposição.

Com este propósito os membros se lançaram a preparação do espaço e as campanhas de arrecadação das peças para a 1ª fase: artefatos do garimpo, encontrando apoio em muitas pessoas da sociedade, entre  elas, Lindolfo Ribeiro de Souza (Orlandinho); Neurisvaldo Francisco Pereira (Dandão); Orlando Ribeiro Vilela, Sandra Sofia Sol da Silva, entre dezenas de outros simpatizantes que efetuaram doações para a Casa da Memória.

No que tange a denominação – o membro Antônio Nival  apresentou a presidência do IHG a indicação do Sr. MANUEL DE AQUINO – “Pié”, garimpeiro e forte liderança dos garimpos da Ponte dos Santos, entre as décadas de 30 e 40, cuja família, embora próspera e bem sucedida, fazem questão de se manter ligada às suas origens, a defender e a preservar as riquezas e valores do seu berço de origem, om destaque para o Dr. GERULINO, um apaixonado por Poxoréu. Aberta a indicação para a apreciação democrática dos demais membros, a proposta fora aceita por unanimidade, passando a Casa da Memoria do IHG – denominar-se “CASA DE MEMÓRIA MANOEL DE AQUINO – “PIÉ”, em homenagem a família tradicional, mas principalmente, aos garimpeiros que fundaram este torrão, no inicio do século XX.

A expectativa dos membros é que a sociedade participe doando peças para apreservação e as autoridades constituídas, realmente, se conscientizem da importância da preservação dessas memórias.

 

ATA DE CRIAÇÃO DA CASA DE MEMÓRIA MANOEL DE AQUINO – “PIÉ”

 

No dia 24 de junho de 2017, as 8h, na sede social do IHG, citamos a Rua Mato Grosso, 432 – Centro, em Poxoréu, Estado de Mato Grosso, por iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu, em observância de suas finalidades estatutárias e, a partir da proposição original dos membros Antônio Nival de Souza Campos, Alan Pereira da Silva, João de Souza e Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, os quais, com a aprovação unânime da assembleia geral e participação da professora Isabel Silva de Oliveira (Coordenadora Pedagógica) da Escola Técnica Estadual de Mato Grosso, nesta data, com a participação das autoridades e da sociedade civil representativa, resultou criada a CASA DE MEMÓRIA MANUEL DE AQUINO – “PIÉ”. Entre as autoridades destaca a participação do Prefeito Municipal – Sr. Nelson Antônio Paim; do Presidente da Câmara – Ver. João de Jesus Oliveira, do Gerente do Banco do Brasil – Sr. Jailton de Souza, diretores de escolas, presidentes de Sindicatos, Vereadores, artistas, juventude, cidadãos em geral, entre outros. Destaca-se a participação e a presença do Dr. Flávio Ferreira (Vice Presidente da OAB/MT e criador da Cia. de Teatro Cena Onze e do Prof. Historiador João Carlos Vicente Ferreira, membro da Academia Mato-grossense de Letras e atual presidente do IHG/MT. A família do patrono marcou presença através do Jerolino de Aquino, proprietário do Laboratório Carlos Chagas, em Cuiabá. Após o pronunciamento das autoridades, leu-se, publicamente o termo de criação e seguiu-se a programação cultural com a participação de artistas locais com apresentações de musicas, danças, poesia e teatro. As citadas apresentações culturais foram originárias da TERTULIA DO PADROEIRO (São João Batista) promovida pela União Poxorense de Escritores, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico – IHG.  Ao final da manha, desta data, o presidente do IHG – Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, declarou encerrada a sessão de criação da Casa da Memória, acima denominada e o prof. Izaias Resplandes de Souza, Presidente da União Poxorense de Escritores – UPE, também declarou encerradas as atividades culturais, registrando os agradecimentos e as contribuições de todos.  Para constar, eu – João de Souza, Diretor Executivo do IHG, lavrei a presente ata que, depois de lida e aprovada, vai assinada por todos os presentes.

 

 

 

 

 

 

 

TERMO DE CRIAÇÃO DA CASA DE MEMÓRIA MANOEL DE AQUINO – “PIÉ”

                        Pelo presente termo, as 8h, nesta data, 24 de junho de 2017, na sede social do Instituto Histórico e Geográfico, com a participação da Assembleia Geral do presente instituto e na presença sociedade poxoreana e das autoridades locais e regionais, foi criada a CASA DA MEMÓRIA, denominada CASA DA MEMÓRIA MANOEL DE AQUINO – “PIÉ”, na Rua Mato Grosso, 432, Centro, Poxoréu – MT, constituindo anexo do IHG. Após o ato de constituição e o pronunciamento das autoridades, com destaque para a presença de vereadores (Edson Tur, Evangelista da Silva Vieira, Leônidas Machado Barcelos e João de Jesus Oliveira) do Prefeito Nelson Paim,  do Dr. Flávio Ferreira, criador da Cia de Teatro cena Onze, de Cuiabá e do Dr. João Carlos Vicente Ferreira, Presidente do IHG/MT – seguiu-se as apresentações culturais na Tertulia do Padroeiro, em homenagem ao glorioso São João Batista, (cuja menção ficou a cargo do Pae. Alexandre Umbelino) data histórica a partir da qual, marcou o início do povoamento do futuro município de Poxoréu, em função das primeiras jazidas de diamantes encontradas em 24 de junho de 1924 pelo grupo do bandeirante João Ayrenas Teixeira, na região de São Pedro.

Poxoréu – MT, 24 de junho de 2017.

 

Prof. GAUDÊNCIO FILHO ROSA DE AMORIM

Presidente do IHG/Poxoréu – MT

Pontos de Encontros

Ponto de Encontros

Gaudêncio Amorim

Fazia tempo que não nos encontrávamos, a não ser, vez ou outra, acidentalmente, por imposição das circunstâncias. E com que alegria nos revíamos, nos falávamos e nos detíamos nas recordações de outrora como se nada mais houvesse de importante senão lembrar daqueles tempos.

A ocasião não era festiva e, notadamente, das piores para um reencontro, mas apesar das circunstâncias, era como se a tragédia inesperada nos tivesse possibilitado nos revermos e a redesenhar nosso passado na mais empolgante e deleitável amizade d´outrora, fato que em tanto tempo de desencontros não nos fora possível, embalde o mínimo instante de nossas presenças, para quem tanto tempo convivera em laços tão estreitos.

Surpreendentemente, a freqüência daqueles encontros não aconteceu num barzinho, numa festa ou numa visita domiciliar de intensa duração, mesmo de períodos intermitentes de rara longevidade, como se supunha, normalmente acontecer.  Isso era intrigante e, no mínimo estranho para quem tanto se dizia “se considerar” como jóias raras e pérola inegociáveis da teia social.

O fenômeno poderia ser visto de forma natural, se considerar nossa célere vida sob a égide das recorrentes concorrências diárias e da competitividade social para otimizar nossas melhores estatísticas sem nos darmos conta do verdadeiro propósito de nossa existência, afinal, se desnaturalizarmos o que nos parece tão natural e trivial, é provável que nos daremos conta da essência diante da estéril e insustentável aparência que parece cegar os homens diante do mais significativo aspecto humano: o humano. Mais inusitado ainda é que a freqüência de tais encontros tenha acontecido em velórios; que aqueles momentos tão cheios de vida tenha se materializado pela morte de alguém, cuja vítima, familiares e amigos lhe tenha tanto feito viver intensamente outrora.

Desconstruir o fenômeno e desnaturalizar sua aparência significa nos redescobrirmos diante do imbróglio que tem sido nossas essências e de quais valores temos nos apossados em detrimento das crenças do passado renascidas naqueles reencontros circunstanciais que, de estéreis, tem apenas sua duração, mas de significado, uma vida passada em segundo.

Cabe indagar: se aqueles segundos daqueles encontros foram tão significativos, por que temos que esperar a morte de pessoas especiais para reencontrarmos amigos verdadeiros? Por que esperar alguém morrer, mesmo sabido do seu estado moribundo, sem que estejamos mais próximos antes da partida? Por que encontrar estas pessoas pelos caminhos naturais e espontâneos tem sido tão difícil? E, por que, quando elas morrem, temos encontrado, na dificuldade, um caminho para reencontrá-las, mesmo na hora mais inoportuna para um encontro, se considerar a cena de um corpo gélido, um rosto em retrato, a boca muda e os olhos cerrados?. Talvez não haja paradoxo mais paradoxal.

A reflexão posta não requer respostas adormecidas, mas um despertar de atitudes mais vívidas sem o costumeiro cenário de desculpas, geralmente acostadas na falta de tempo, no trabalho, na família e nos aspectos econômicos, como vilões dos desencontros. Inobstante as realidades desculpáveis, também merece destaque nossa monotonia, nosso comodismo e o egoísmo que nos prende a nós mesmos e que só são despertados na surpresa ou na iminência da morte, exatamente para reencontrar a vida num cenário de morte e, na morte de alguém a quem nos dedicávamos tanta vida.

Quem mais vamos esperar morrer para reviver nossas vidas na presença de reencontros inesperados, sem que oportunizemos a nós mesmos o mesmo encontro na presença da vida? Ou será que temos que esperar o próximo velório?

Geraldo Paulino de Alencar: um vereador comprometido com as causas sociais

GERALDO PAULINO DE ALENCAR: Um vereador comprometido com as causa sociais

*Prof. Gaudêncio Amorim

Quando escrevi “Linhas Históricas de Poxoréu…” (2001) cometi o equívoco de não ter mencionado um vereador, no rol dos vereadores eleitos, com a maioria dos votos pelo distrito de Paraíso do Leste, conforme pode observar sua ausência na página 143: GERALDO PAULINO DE ALENCAR. Evidente que não por intenção, mas por desinformação da pesquisa que, à época não foi possível resgatar os registros de sua Vereança no mencionado distrito. Confesso que aquela omissão deixou-me bastante inquieto, porque ela não se mantinha fiel a história e porque não havia registrado a atuação de um personagem importante à galeria dos varões ilustres de Poxoréu e, igualmente para os cearenses que ocuparam a região na década de 40. Como um abnegado, debrucei-me à busca.

Com o apoio dos irmãos Antônio de Souza ( O Toinho) e João de Souza, saímos de Cuiabá, na manhã do dia 09/10/2010, do bairro do Leblon, cortando toda Avenida Dante de Oliveira (Antiga Av. dos Trabalhadores), o CPA-3 e o bairro “Dr.  Fábio” para, em estrada de chão, percorrer quase 20 Km até a Chácara de Iracema Paulino de Alencar (Filha de Geraldo Paulino) às margens do Rio Coxipó do Ouro, próximo à ponte de ferro, para corrigir o equivoco e manter viva a sua memória na publicação que, ora faço, com a mesma disposição de outrora.

GERALDO PAULINO DE ALENCAR nasceu no dia 10 de agosto de 1935 em Araripe, Estado do Ceará tendo como genitores o Sr. João Paulino Sobrinho  e Dona Joana Barros de Alencar, ambos nascido no sertão de Araripe.

Como toda criança cearense da época acostumou a labuta penosa que a realidade nordestina lhe impôs e, exatamente em função dela, aprendeu “extrair leite de pedras” para sobreviver usando a imensa criatividade e os valores mais fundamentais típicos das boas normas sociais.

Geraldo Paulino, seguindo a onda do povoamento da região Centro Oeste, como a maioria dos demais cearenses que habitaram Paraíso do Leste na década de 40, veio para Mato Grosso em 1942 trazido por Argemiro Rodrigues Pimentel (mais tarde, Prefeito de Dom Aquino e Vereador por dois mandatos em Poxoréu) e foi morar na Colônia de São Lourenço, do outro lado do mutum, em terras que, mais tarde seriam reivindicadas pelo Cel Luizinho (1° Prefeito de Poxoréu)

Das 22 famílias que deixavam Araripe, Geraldo Paulino se lembra bem do Sr. José Calisto de Alencar; Francisca Verônica, Luis Alves de Moura; Pedro Gerônimo de Alencar; Pedro Alves de Moura; Joaquim Cassiano; José Olimpio, Sebastião Gerônimo de Alencar e o Sr. Florêncio.

Geraldo Paulino deixou o Ceará quando tinha apenas o07 anos numa viagem engenhosa, cujo traçado na época, desafiaria a cartografia para recompor as andanças até chegar ao Vale do São Lourenço.  O grupo de retirantes que somava quase 80 pessoas deixou Araripe num pau-de-arara em direção à Petrolina-PE, de onde continuou a viagem por água através do “Velho Chico” no Vapor Eng°. Afro por longas 12 horas até Pirapora-MG e de lá seguindo de trem de ferro, antiga “Maria Fumaça” até São Paulo, capital, onde marcou parada no movimento Migratório do Brasil, uma espécie de orientação dos nordestinos, com preponderância para a ocupação do interior do Brasil. De lá, ainda de Trem, o grupo tomou a direção de Alfredo Castilho – SP, na divisa de MS, próximo a Três Lagoas, onde permaneceu por seis meses antes de chegar a Porto Esperança – MS, próximo a Corumbá. Já estavam em Mato Grosso, porém, dali seguiriam viagem numa Lancha pelo Rio Paraguai, depois pelo Rio Cuiabá até se desembarcarem em Santo Antônio do Leverger-MT, a uns 30 KM do centro histórico de Cuiabá, para onde as 22 famílias seguiram numa jardineira e, em poucos dias, acomodarem-se em caminhões da CER – Companhia de Estradas e Rodagens em direção ao São Lourenço.

A CER era uma companhia que na época construía a estrada que ligava Cuiabá ao Estado de Goiás, passando exatamente por Paraíso do Leste e Lageado. Porém, o grupo ainda não chegou a Paraíso do Leste. Ficou no Vale do São Lourenço.

Na margem direita do Rio São Lourenço, na Colônia, permaneceu por dois anos aproximadamente, porém a família de Geraldo Paulino tomou o destino do garimpo das Pombas, onde permanece por três anos me média no local, sobrevivendo do ofício de Ferreiro, desenvolvido pelo pai e de outros parentes que se aventuram nas lides da garimpagem e algumas poucas roças de tocos, embora a natureza na região se apresentava pródiga para o cultivo grãos, bem diferente do cenário árido deixado para trás no Ceará.

Retorna a Colônia do São Lourenço, mas cedendo as implicações do Cel Luizinho que alegava posse das terras, a maioria das famílias, cruza o rio para a margem esquerda e fixam residência no Mutum (Mais tarde, município de Dom Aquino) por aproximadamente 02 anos e dali seguem para Paraíso do Leste onde chegam em Agosto de 1948, Geraldo Paulino, na época, com 13 anos e dali sairia para servir o quartel em 1955 deixando a mãe e o pai em Poxoréu.

Quando retorna do quartel aventurou – se no garimpo por seis anos e ainda volta a Paraíso do Leste, onde planta uma roça, colhe os mantimentos, porêm retorna a Poxoréu para trabalhar na Prefeitura.

No dia 06 de agosto de 1958 firmou o seu compromisso com Francisca Barbosa de Alencar, uma cearense também de Araripe, com a qual gerou os filhos: Joana Barros de Alencar Neta, em 1960; Maria de Fátima Alencar, em 1961, João Paulino de Lima Neto, em 1962; Iracema Paulino de Alencar, em 1964 e Sandra Paulino de Alencar, em 1968, aos quais, mais tarde se somaria uma filha de criação, Midevilsa Paulino de Alencar, em 1975, criada com o mesmo zelo e carinho da família.

Geraldo Paulino de Alencar, moço atencioso, comunicativo, solidário e portador de um imenso rol de amizades, logo se viu embrenhar pelos desígnios da política, ingressando na Arena para pleitear a candidatura a Vereador, elegendo-se em 1966 na eleição vencida pelo Dr. Antônio dos Santos Muniz disputada com Aristino Vilela (O major Vilela), sendo o 3° vereador mais votado numa votação que superou 290 votos, distante dos mais de 600 votos obtidos por Aquilino Souza Silva na época, a maior votação de um vereador em todos os tempos na história das eleições municipais. Durante o mandato, foi secretário da Câmara na presidência de Antônio Mandu da Silva e Jurandir da Cruz Xavier.

Para alguns analistas, a sua eleição foi uma imensa surpresa, porem esquecia-se que aquele moço, também funcionário da Exatoria, além de simpático e comunicador, não deixava ninguém triste onde quer que estivesse e, isto, despertou a confiança num eventual trabalho frente ao Legislativo municipal. Foi um vereador combativo, polêmico, com trabalho prestado, principalmente, na área da educação e saneamento básico indicando escolas e professores na região do Barreirão, Serra das Araras e instalação de torneiras na Rua Maranhão, São Paulo e no Bairro Areia, afinal, a água era trazida da “biquinha” – uma mina próxima a Usina Hidrelétrica Dr. José Fragelli em lombo de animais ou na cabeça de mulheres e crianças, em alguns dos casos, pagas por aqueles de melhor poder aquisitivo.

Geraldo Paulino destaca que entre as cenas que polemizou está a exigência da confecção de caixão de indigente ofertado no tamanho da vítima e não tamanho padrão; Brigava com o padeiro para não aumentar o pão chegando a trazer para a sessão da câmara, pães de outros municípios para serem comparados no quesito tamanho e preço; Era contra o preço da carne tabelado a revelia do açougueiro. Com essa postura combativa e de enfrentamento a exploração social, Geraldo Paulino, por um lado, caia nos braços do povo que o enxergava como um legítimo defensor das massas e das causas populares, por outro, era visto com ressalvas e temor pela classe dominante que percebia seus interesses ameaçados pelas bandeiras de lutas do vereador, de sorte que criou-se aí uma animosidade entre o parlamentar e a corrente dominante, o que termina por lhe render o afastamento da vida pública.

Deixou o exercício parlamentar, mas continuou trabalhando na Prefeitura como encarregado de Obras subordinado a Dona Levita Fioravante e Newton Pinto Lopes, pelos próximos 4 anos, ajudando na construção da Cerâmica e da Usina Hidrelétrica Dr. José Fragelli nos governos de Lindberg Ribeiro Nunes Rocha e Lucas Ribeiro Vilela.

Mudou-se para Várzea Grande em 1975 para trabalhar como chefe da Rede Física  das escolas de Mato Grosso na Secretaria de Estado de Educação, cujo ofício deixou a partir de 2000, quando aposentou-se de suas atividades, deixando sua casa no CPA para morar na chácara da filha Iracema Paulino de Alencar, onde reina a paz e a tranqüilidade, merecidas, para um homem que tanto trabalhou pela sociedade matogrossense, chefe de uma família de 06 filhos, 15 netos e 08 bisnetos.

 

A sociedade do Espetáculo

A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

Prof. Gaudêncio Amorim

                        No primeiro capitulo da Obra a “Sociedade do Espetáculo” (1967) do francês  Guy Debord, (1931-1994) consta o prefácio da 2ª edição da obra “ A essência do Cristianismo”, de Luduing Feurerbach, segundo o qual “nosso tempo, sem dúvida… prefere a imagem à coisa, à cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser… o que é sagrado  para ele não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado”.

                        Nessa linha de reflexão parece que, nos dias atuais, o sagrado é o espetáculo, aliás, o espetáculo motivado pelas crises de valor, aquele que extrapola a rotina do bem para fortalecer a muralha da mal, pronunciado como digno das melhores reportagens, de apitmentados boatos e dos mais execráveis dos fatos na mais sensacional criação de todos os tempos.

Não pode ser vencedor do BBB (da rede Globo) o participante ético e politicamente correto, mas o que dá espetáculo, provoca escândalos, que conspira, que melhor representa em sucessivos simulacros de aparência. Não adianta mais torcer pelo “bonzinho”, pelo mocinho, símbolo de valores desejáveis, sabendo que a vilania tem se viralizado, como se fosse o desejo da maioria. Aliás, esta tem sido a conclusão dada por muitos diretores de filmes e novelas, consolidando o sucesso dos vilões em seus desvios de condutas, ao se afastar de uma ficção permeada pela ética com condão de extremados valores individuais e sociais, projetando nas retinas da sociedade os pecados capitais que a própria os consideram execráveis, mas que, de tanto assisti-los, às vezes, termina por legitimá-los.

                        Por outro lado, a corrupção social, através do “jeitinho” e do “levar vantagem em tudo” tem se revelado em nossa cultura, a patamares assustadores e a velocidade surpreendente. Parece que a conquista das liberdades individuais se configuram em armas letais para prospectar nossas individualidades nas liberdades alheias, em nome dos nossos próprios vícios e de nossas paixões mundanas. Essa realidade é temerária, em função de uma regressão para liberdades controladas, como aconteceu nos estados absolutistas.

                        O espetáculo não é conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas mediatizadas por imagens no fenômeno da aparência e do simulacro de realidades e, ao mesmo tempo, aceitos como efetiva realidade projetada sobre o totem da verdade.

A política brasileira, nos últimos tempos, consolidou a corrupção como a verdade indubitável do desejo dos seus operadores. A política, como “um negócio da China”, deixou de ser uma provocação dos críticos de plantão, mas uma forma de levar vantagem individuais e de enriquecimentos ilícitos, subsistindo do patrimônio dos brasileiros, como aconteceu com a Petrobrás ou a subserviência criminosa de empresários da Odebrechet, da JBS, da JIF, entre outras, através do fenômeno do propinato que movimentou desvios bilionários, cujos crimes estão sendo “perdoados” com a utilização dos instrumentos da delação premiada e dos acordos de leniências. Parece que a profecia do Pe. Antônio Vieira (1608 —1697) no seu “Sermão do Bom Ladrão” (1655) – “O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza” – tem se consolidado como a verdade de um tempo, porque os espetáculos já não acontecem isolados, mas em profusão e conectados em rede de sucessivos escândalos.  Até parece que a política se cartelizou ou se aproximou da pratica de mafiosos ao admitir a utilização de pessoas para fins escusos e eliminá-las, antes de uma eventual delação, como teria afirmado o senador Aécio Neves nas gravações da justiça. Parece também, que ao invés de espantar os gatunos, temos cuidado de, criteriosamente, eleger os lobos para cuidar dos galinheiros, por assim aceita-los em peles de cordeiros.

                        O espetáculo apresenta-se como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível. Sua única mensagem é “o que aparece é bom, o que é bom aparece”. A atitude que ele exige é por princípio aquela aceitação passiva que na verdade, ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, pelo seu monopólio da aparência. E quando os movimentos sociais ganham as ruas, são refreados pela força bruta, sob a alegação de vândalos e contraventores da ordem, não que estes não existam, mas a aparência de existi-los é tratada com a necessidade de repressão a todos, indistintamente.

                        Assim, o mundo real se converte em simples imagens, estas simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes típicas de um comportamento hipnótico e acrítico. O que combate um escândalo não são mais as medidas preventivas ou corretivas, mas um novo escândalo, algo similar a prática do crime organizado que, pra roubar um banco, saqueia o comercio adjacente, queima pneus, carros, ônibus, enquanto os caixas são explodidos por poderosos dinamites e saqueados seus valores.

                        Não existe mais esperança no modelo dos espetáculos. Ele não convence mais ninguém.

                        É provável que ele subsista pelo aparato da força de leis convenientes ao poder de plantão, mas o é totalmente ilegítimo ao sentimento de nação. O combate não é mais aos ratos dos porões, mas aos timoneiros que dirigem os navios.

                        A esperança continua no fato de sua literal corrosão desse regime e dessa cultura até não se sustentar mais. A esperança continua na luta continua e continuada.

 

Gaudêncio Amorim. Poeta, Escritor, Cientista Política, membro da União Poxorense de Escritores e Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu – MT