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Sandra Sofia Sól nasceu em Poxoréu-Mt, no dia 30 de setembro de 1955, filha de Sebastião Santana Sól e Eunilce Rita de Britto Sol. Desde criança que gosta da arte, pois cresceu vendo os seus pais envolvidos, com a música, canto, teatro, pintura, poesias, etc.

Sandra possui intensa participação nas artes cênicas com habilidades para arte dramatúrgica e experiência com teatro tanto em Poxoréu, quanto em Cuiabá, participou do 1º Curta Metragem do Estado com o Filme Curral das Águas da historiadora e diretora de teatro, Glória Albuês, sendo protagonista em companhia de Amaury Tangará, hoje diretor, dramaturgo e autor do 1º Longa Metragem do Estado, A Oitava Cor do Arco Iris, onde a Sól também teve o privilégio de fazer parte do elenco. Também possui afinidade com as artes plásticas, lapidação de pedras.

Bacharel em Ciências Contábeis pela UFMT em 1988 e Licenciada em Teatro, curso que lhe ofereceu um vasto conhecimento e aprendizado.

Foi Coordenadora de Turismo, durante a administração do ex-prefeito Antônio Rodrigues. Hoje faz parte da Assembleia Geral do Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu tendo como Patrono Sebastião Santana Sól.

Sebastião Sanatana Sól nasceu em 5 de agosto de 1920, filho de Antônio Luiz Sól e Luiza Maria de Oliveira, seu berço natal na Várzea Grande, naquela época, bairro de Cuiabá, onde viveu até os quatro anos de idade. Entre 1922 a 1923 com a mudança de sua família para Capim Branco, hoje Cel. Ponce distrito de D. Aquino, onde passou morar e viver os melhores momentos de sua infância e adolescência, segundo ele próprio pode demonstrar em interessantes narrativas, quando parecia reviver, nos pequenos detalhes, fatos que lhe vinha à lembrança com muito sabor de suas estórias e histórias, cenas bucólica do dia a dia da vida cabocla nas quais ele punha toque especial de humor que era impossível não ouvi-lo, e ao terminar, quase sempre, acompanha-lo em copiosas gargalhadas, coisa que ele fazia de maneira espontânea.

Entre outros eram personagens constantes, em suas recordações, sua avó D. Franquilina e seu tio Benedito Pedro, a quem em documento escrito chamou de “meu herói”. Dividia seus dias entre poucos momentos de folguedos e a lida árdua na lavoura, na criação de porcos, tarefa que dividia com seu irmão mais velho, para ajudar a família. Contava que certa feita ajudou a tocar, à pé, uma vara de porcos de Coronel Ponce a Poxoréu. A vida naqueles idos não era fácil para ninguém que se aventurava a enfrentar as auguras dos sertões, era premente a necessidade das pessoas estarem em mudanças veio a morar em Poxoréu, onde trabalhou em casas de comércio, vendia pão na rua, trabalhou na farmácia São Pedro do Sr. Amarílio Bento de Britto, como auxiliar de farmácia, emprego no qual até sua mudança com a família para Cuiabá.

De volta a terra natal, jovem, sonhador sempre preocupado em estudar, pois em Cel. Ponce tivera apenas a iniciação básica de ensino, na escola pública local com o Prof. Manoel Cassimiro, mais tarde especializou-se no curso de Língua Portuguesa por correspondência com o Professor Napoleão Mendes de Almeida. Para ajudar os ´pais, e como sempre sentira simpatia pela vida militar, apresentou-se como voluntário no ano de 1938, incorporando-se às fileiras do 16º BC, hoje, 44º Batalhão de Infantaria, não estudou como era seu desejo, embora nunca tivesse desistido desse objetivo mas percorreu uma brilhante carreira militar, respeitado pelos seus superiores, e admirado pelos seus subordinados.

Na caserna sua vida foi feita de esforços e conquistas, passado o tempo de recruta devido sua experiência anterior na Farmácia São Pedro foi designado, já como soldado engajado, para servir na farmácia do batalhão onde aumentou seus conhecimentos, sendo até convidado pelo capitão farmacêutico a fazer um curso de auxiliar de farmácia no Rio de Janeiro, o que lhe daria o status de farmacêutico, não acontecendo por motivos de doença na família. Sempre que fora submetido à provas para conseguir uma promoção passando pelos postos de cabo, sargento e outras especializações, sempre as fizera com distinção, dentre os que mais exigiram esforços e sacrifício foi o de Aperfeiçoamento de Sargentos realizado em Campo Grande, hoje, capital de Mato Grosso do Sul, no Centro de Preparação de Oficiais de Reserva o que lhe garantia sua permanência na vida militar, e por ocasião de reforma uma melhor graduação, mesmo achando difícil, mais uma vez recebe os melhores resultados.

Foi dentro do quartel um excelente esportista, corredor especialista nos mil metros, foi tricampeão regional na modalidade concorrendo com atletas do grande Mato Grosso e São Paulo, na sua unidade foi considerado, atirador de escol tendo por varias vezes alcançado o primeiro lugar nas competições de tiro ao alvo com MOSQUETÃO e FUZIL recebido várias medalhas por esta modalidade de competição. Agosto de 1955 recebe com orgulho a medalha de Pacificador das mãos Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro. Após 25 anos de bons serviços prestados à pátria em 1963 retira-se para a reserva no posto de 1º Tenente.

Sua vida civil foi pontilhada de importantes acontecimentos; em 12 de outubro de 1946, em Poxoréu casa-se com a Srta. Eunilce Rita de Britto, filha do Sr. Amarílio Bento de Britto e D. Antônia Firmina de Britto. Desse matrimônio nasceram Edsonina Benedita, Amarílio Neto, Maria Auxiliadora, Anna Rita, Sandra Sofia. Natália, Luís, Inês Balbina, Maria Gardênia e Reinaldo. Residindo em Cuiabá com a sua família foi atuante na sociedade chegando a ser presidente do Grêmio Antônio João onde a maioria dos sócios eram militares. Em sua residência sempre recebia seus amigos que eram recepcionados com alegria e depois de um bom papo terminava com uma boa rodada de música com os acordes de seu velho companheiro violão e a voz melodiosa de sua esposa Eunilce. Santana Sól era devoto fervoroso de São João Batista e todos os anos, nessa data, realizava animadas festas na residência da família localizada na histórica Rua Miranda Reis, acolhendo a nata da sociedade cuiabana. A fé no Santo era colocada à prova quando Santana Sól espalhava as brasas da fogueira e descalço atravessava o braseiro incandescente de um lado para outro. Esse era o ponto mais esperado da festa de São João.

O Grupo Teatral do Colégio dos Padres, do qual ele era participante sempre reuniam em sua residência e com animação sempre terminava em momentos festivos. Entre os participantes do grupo, sempre estavam presentes, Vicente Vuolo, Pe. Raimundo Pombo, Filinto Muller, Dr. Rubens Vuolo, Mestre Bomblê e tantos outros, que ali ficavam horas a fio, conversando sobre os assuntos da época, sobre peças a apresentações teatrais, ou apenas cantando e tocando. Nesse tempo Cuiabá enfrentava dificuldade com o abastecimento de água e assim formavam filas de pessoas que iam buscar água de um poço que tinha na residência da família Sol para suprir as necessidades, e Sebastião Sol, preocupado com a dificuldade de ter que puxar água com auxilio de corda e com o tempo que cada um levava para encher suas vasilhas, adaptou uma bomba elétrica que veio a facilitar o trabalho.

Como pai, foi sempre compreensivo e amigo, gostava de reunir a família para contar causos e falar de sua infância, tanto difícil, porém contada de uma maneira divertida, talvez tentando amenizar recordações. Procurava sempre trazer pra casa as novidades lançadas na época. A primeira manteiga vegetal, Margarina. O sabor se perpetuou em nossas vidas. O fogão à querosene onde existia um botijão de vidro onde era colocado o querosene, se assemelhava ao fogão à gás de hoje. Em fim, sempre chegava com algo diferente e todo pimpão com um sorriso largo contava sobre as novidades que havia chegado no Armazém, lugar que ele fazia as compras do mês e que todos os militares tinham uma contribuição. Gostava de levar a sua família para passear, ir ao cinema e quando chegava um circo na cidade fazia questão de ir com toda a criançada.

Após deixar o exército volta para Poxoréu iniciando um período de novas atividades preenchendo todo o seu tempo útil, aposentou mais não vestiu pijama, passou a ocupar-se de uma das coisas que ele muito gostava de trabalhar, a terra e criar pequenos animais, vocação trazida da infância, colheu muitos frutos e rendas enquanto permaneceu à frente das atividades. Por forças das circunstâncias políticas é indicado por amigos a servir como secretário do prefeito Osvaldo Vieira da Silva, que chegou ao posto com a cassação do prefeito titular, após uma intensa demanda jurídica pelo cargo, resolveu o poder judiciário nomeá-lo prefeito tampão, até que completasse aquele mandato, que duraria pouco menos de um ano, pondo assim fim a demanda judicial orquestrada pelo mais diversos interesse político. Entregando para seu sucessor, legitimamente eleito, a prefeitura, tudo conforme determinava a lei, sem “rombos” como era costume se dizer na época.

Mais uma vez é chamado a prestar serviços à sua comunidade, era preciso alguém com organização e respeito para a direção da 23ª CIRETRAM, sendo nomeado cumpriu com zelo e denodo a função deixando-a para cuidar de seus interesses particulares.

Teve intensa participação na sociedade e assim, em junho de 1967 ajudou na fundação do Lions Clube de Poxoréu no qual permaneceu como sócio durante vinte e sete anos, isto porque o clube deixou de existir. Convidado para ser membro da Maçonaria, tornou-se um maçom, leal cumpridor de sua s obrigações. Músico nato conhecia como ninguém os segredos do violão, seu instrumento predileto, dava prazer ouvi-lo, este gosto pela música era tão grande que procurou dividi-lo com o maior número de pessoas que lhe foram possíveis, dando aulas gratuitas a quem o procurasse, e assim outros, muitos jovens, passaram a dominar a música e o violão graças ao mestre que carregava no nome uma nota musical, o SOL.

Sebastião Santana Sól, faleceu no dia 26 de junho de 1979 deixando uma dor irreparável, e as suas melodias ecoam até hoje nos corações da família. É com saudades que hoje os seus filhos e netos cantam as músicas: “Naquela mesa” e “Ei meu Pai”. Os clássicos de Guilhermano Reis, Orlando Caldas Francisco Alves e outros da época, que fazem recordar e lembrar do grande artista e mestre SANTANA SÓL.